"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" Pablo Picasso

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O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil





[Domingo, Abril 29, 2007]



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 4:36 PM

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[Quinta-feira, Janeiro 11, 2007]






por CAIO CESAR CHRISTIANO * 5:34 PM

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[Domingo, Dezembro 10, 2006]

Orígenes Lessa (1903-1986) é o autor que estudo em minha tese de mestrado. Certo, ele nunca escreveu quadrinhos e, como esse não é nem um daqueles blogs de confissões pessoais em que o blogueiro tenta mostrar sua erudição chamando autores apenas pelo primeiro nome, assim, como se fosse um íntimo, e terminando suas frases sempre com um "oh" seguido de um suspiro, nem uma daquelas "análises" ou "reviews" que intentam validar a nona arte através de comparações, em sua grande maioria esdrúxulas, com a chamada "grande literatura" como tantos que pululam internet afora, eu não tenho nada que estar falando do orgulho de Lençóis Paulista aqui no Gibiblog. É verdade! Mas, recebi do CIBEC-INEP-MEC, que me atendeu de forma tão civilizada e polida que quase cheguei a duvidar de que se tratava de um órgão do governo, duas cópias de matérias com o referido autor, publicadas na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Qual não foi minha surpresa quando li, na edição n. 141, publicada em 1977, um trecho da entrevista de O. Lessa em que ele fala sobre histórias em quadrinhos e
dos perigos de sua desnacionalização. Orígenes Lessa foi um homem de seu tempo. Seus personagens nunca eram grandes heróis que realizavam enormes feitos, assim como os gêneros literários pelos quais transitou não eram os de mais fácil aceitação entre a crítica. Foi no Brasil um dos iniciadores da ficção científica e mostrou-se habilíssimo na arte conto e no manejo dos diálogos. Como pesquisador, foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da literatura de cordel como produção escrita digna de estudos. Como tradutor, foi o primeiro a trazer para nossas terras aqueles livros-jogos, em que se pede para que se pule para a página tal e tal se quiser que o personagem tome esta ou aquela atitude. Como publicitário, teve carreira longa e próspera e, entre coisas, no seu currículo consta a invenção do nome da marca Kibon. Nos últimos anos de sua vida, quando retornou à literatura infantil, foi freqüentemente comparado a Monteiro Lobato. Talvez seja por ter feito tantas coisas tão diferentes de maneira bem sucedida e sempre ter tido grande sucesso de público que ele seja, hoje, praticamente ignorado por uma grande porção da crítica da literatura séria no Brasil e seu nome, por exemplo, não seja citado nem sequer uma vez na História da Literatura Brasileira de Alfredo Bosi. Coisa de quem se aventura a explorar territórios ainda virgens, como muitas vezes acontece com nossos autores de histórias em quadrinhos. Segue o depoimento:

ENTREVISTADOR: Que papel desempenham as histórias em quadrinhos para a nossa infância? São um fator de alfabetização? São desnacionalizantes, visto que em grande parte não se inspiram em fontes brasileiras, em nossos motivos, temas e tradições, enfim na vida do povo brasileiro?

ORÍGENES LESSA: Condenável ou não, alfabetizando ou não alfabetizando, ajudando ou atrapalhando, a história em quadrinhos é um bem ou um mal de caráter irreversível. É como haver um dia depois do outro, uma noite entre duas noites. O que precisa ser evitado é o caráter desnacionalizante, que você mencionou, dos enlatados que recebemos. O que precisa ser estimulado é a produção de histórias em que os motivos e os heróis sejam nossos. Não é questão de patriotismo, é questão de sobrevivência como povo.


por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:43 AM

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[Domingo, Outubro 22, 2006]

Faz algum tempo eu pedi para que o Wander Antunes escrevesse com exclusividade para o Gibiblog um texto com o seguinte título: "Como escrever um bom roteiro pra quadrinhos", tarefa que ele desempenhou prontamente. Se o texto aparece com um atraso aqui, no entanto, a culpa é toda do editor deste blog.
Por que pedi eu que o texto fosse escrito pelo Wander e não por qualquer outra pessoa do mundo? A resposta é simples. Primeiramente eu tenho contato com ele, e, mais importante ainda, Antunes é um roteirista muito acima da média e um dos poucos que tem publicações fora do país. Não quero aqui me juntar ao rebanho dos que só reconhecem um brasileiro depois que alguém do exterior tenha enchido a bola do cara. Na minha opinião, ele já havia demonstrado sua capacidade quando publicou Crônicas da Província no Brasil, mas é necessário, no mínimo, admitir que publicar no competitivo mercado de bandas desenhadas francesas não é para qualquer um. E continuar publicando é ainda mais difícil... e no entanto ele o fez...
Um outro motivo que me faz admirar o Wander como roteirista de quadrinhos é o fato de ele viver num universo cultural maior que o mundo dos quadrinhos. Pois é, amigos leitores do Gibiblog, quadrinhos são cultura, mas cultura é muito mais do que quadrinhos. Gente que tem como norte único coisas que saem em quadros corre o sério risco de ser medíocre e, se estas pessoas resolverem se tornar roteiristas de quadrinhos, têm uma chance em um milhão de escreverem algo que seja minimanete interessante. Ou vocês acham que Oesterheld passava o seu tempo lendo quadrinhos? Que os pontos comuns entre as histórias de Eisner e os contos de O'Henry são mera coincidência? A respostas é, com certeza, não. É o óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues. Nelson, aliás, está entre as leituras preferidas do Wander Antunes. E o texto a seguir vai, com certeza, fazer parte das leituras preferidas de todos os aspirantes a roteirista que estão por aí e que, oxalá, um dia, levarão as HQs brasileiras para um próximo nível. Com vocês, Wander Antunes:


Como escrever um bom roteiro pra quadrinhos

E eu sei lá? Ops! Foi mal.... Esquece o que eu disse aí no começo, se assumir que não sei o caminho das pedras não poderia estar escrevendo um artigo que se pretenda resposta a tal pergunta. Então, me dá uma chance, vamos tentar...
Mesmo não tendo uma resposta definitiva, matadora mesmo, para essa pergunta, estou seguro de que ser leitor de muitos e bons roteiros, de boas histórias, é um primeiro passo bem dado na direção certa para se escrever bons roteiros. Eu acompanho com imenso prazer o trabalho de uma infinidade de bons, de grandes roteiristas. Falo de gente como Berardi, Eisner, Laerte, Angeli, Abuli, Oesterheld, Pratt, entre centenas de outros. A temática, a origem, a "voz" de cada um, o seu tempo, tudo isso pode diferenciá-los, mas algo os aproxima: acredito que eles saibam mesmo do que estão falando. Talvez essa seja a mágica, ou parte dela: tornar a coisa crível. E claro, o tesão, o querer contar algo. Mais: ter o que contar!! Todos os autores que mencionei têm o que contar. Nem todo mundo que escreve tem! Ou parece ter um contato muito superficial com o assunto proposto por ele mesmo. Acho que parte do problema do roteiro que não funciona bem reside no fato de seu autor ficar na superfície das coisas, dos lugares e das pessoas de quem está nos falando. A gente fala melhor do que conhece, do que experimenta. Eu não o conheço pessoalmente, mas acho que o Angeli poderia dizer, a maneira de Flaubert, que "a Rebordosa sou eu". Ou então poderia dizer que transou com ela. Se disser, eu acredito nele.
Acho que quanto mais descolado o assunto abordado por um autor é de sua realidade menos chance de se sair bem ele terá. Essa realidade é, certamente, a cotidiana, mas não só: também pode ser a de suas eleições afetivas, aí entram os livros, as músicas, os filmes, as revistas que esse autor lê. O mundo desse autor, enfim. Tudo o que ele apreende se constitui parte de sua realidade.
E quanto maior for o mundo habitado por esse autor, quanto mais permeável, aberto e sensível ele for, maior suas possibilidades de emprestar um sentido de verdade para suas narrativas. O mundo do personagem de um autor tem, quase sempre, o tamanho do mundo desse autor. Se o mundo do personagem é pequeno, sem relevo, é provável que o mundo do autor esteja precisando de uma ampliada, de uma reforma. Isso não tem nada a ver com o espectro do autor ou do seu personagem no mundo, com o peso da influência de um ou a grandiosidade dos atos do outro. Um bom autor não precisa que seu personagem salve o mundo pra produzir uma grande narrativa, ele se sai bem falando sobre nada até, vide Harvey Pekar. O tamanho do mundo proposto aqui não tem nada a ver com a extensão dos acontecimentos narrados num roteiro. Muito pelo contrário. Tem mais a ver com uma certa idéia de realidade cara ao autor, algo que se impõe no texto como assunto recorrente, uma espécie de subtema, mesmo que ele não se proponha a colocá-la ali, mesmo que esteja narrando uma aventura espacial ou uma saga bucaneira. Se ele não fugir muito dela, deixar sua história permeável a esse assunto recorrente, seu roteiro terá mais chances de dar certo, de se agüentar de pé.
Eu tenho um assunto recorrente, do qual não consigo me descolar, embora tenha uma certa dificuldade em elaborar isso muito claramente. Sei que é meu assunto é recorrente porque eles estão sempre lá: homens e mulheres que precisam se virar porque não há ninguém pra cuidar deles, não há um Estado mediando os conflitos em que eles se metem, defendendo seus direitos. Não há nem Deus, nem Paraíso, nem recompensas pós-vida por bom comportamento. Meus personagens podem ser uns mais éticos que os outros, uns podem se acanalhar mais, outros podem desafiar o mundo hostil em que vivem, mas estão sempre se virando como podem, sozinhos. Esse é, quase sempre, meu assunto. Seja numa história que se passe no Rio de Janeiro, no interior de Mato Grosso, em Cuba ou nos Estados Unidos da Grande Depressão. Isso não é uma coisa pensada, acontece assim porque, acho eu, vivo num país onde a desigualdade social é muito grande e o estado esteja ausente da vida de uma grande parcela da população. Isso não explica tudo, mas é parte da explicação. Mesmo quando ambiento minha trama em outro país eu não me descolo do meu universo. Não por acaso, a trama de Big Bill está morto, meu gibi com trama ambientada nos Estados Unidos, se passa durante a Grande Depressão. Acho que com algumas mudanças aqui e ali essa história poderia se passar, sei lá, num Brasil que eu conheço, em meio a um desses bolsões de pobreza e ignorância que somos bons em perpetuar. E aí, só pra abrir um parêntese, acredito que a realidade cotidiana acaba por ditar, ao menos em parte, a escolha da realidade afetiva e, por tabela, ditar o assunto de um escritor. Se de um lado parte da escolha por contar a história do Big Bill, um negro sensualista e provocador, tem a ver com minha própria negritude (nem tão sensualista e nem tão provocadora) e por eu saber o que isso significa, também é verdade que a leitura de autores geniais como John Steinbeck ou o injustamente descatalogado no Brasil Erskine Caldwell, para citar alguns, têm seu peso. Mas, por outro lado, quem disse que o fato de um escritor ter um papel maior ou menor na vida de um leitor não tenha uma explicação que transcenda seu talento, sua genialidade? A eleição de um autor ou de um livro como algo central na vida de alguém é ditada, em parte, pelo fato de o leitor ser quem ele é e viver uma determinada realidade cotidiana. Você pode pegar dois gênios, vamos pensar em Nelson Rodrigues e em Lígia Fagundes Teles, e se perguntar porque um tem um espaço maior do que o outro na sua vida. Alguma coisa além do talento deles pesou na eleição de um e não de outro. Bem... Talvez seja melhor esquecermos essa divagação capenga e indefensável pra voltarmos ao "como escrever um bom roteiro para quadrinhos".
E agora, só agora?, vou ser sincero com você: não faço a mais remota idéia de como fazê-lo, não conheço o segredo. Evidente que, para além de tudo o que eu disse acima (e devo ter dito um montão de bobagem), tem que estar a preocupação com o aspecto formal do texto, com sua estrutura, mas sobre isso eu não tenho nada a dizer, ao menos não posso falar com a segurança de quem sabe mesmo do que está falando. Sei que se o roteiro tiver começo, meio e fim ajuda um bocado. Acredito que a gramática do roteiro a gente vai aprendendo enquanto vai escrevendo, é como andar de bicicleta. Com o tempo você vai sentindo o tempo da narrativa como um todo e da cena em particular, vai descobrindo como cada cena é importante e em que medida ela ajuda a desenvolver personagens e a contar parte da história. Vai aprendendo os truques, mesmo que inconscientemente, mesmo sem querer. Não creio que o segredo esteja na estrutura - embora também esteja. Para ser franco suspeito, de verdade, que o segredo do bom roteiro resida fora dele, na vida. E que se a gente trouxer um pouco dela pra dentro do texto a coisa tende a funcionar que é uma beleza.

Wander Antunes

Contista e roteirista de quadrinhos. Autor dos roteiros de As aventuras de Zózimo Barbosa, Crônicas da província e Big Bill está morto, entre outros.


por CAIO CESAR CHRISTIANO * 7:03 PM

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[Terça-feira, Agosto 22, 2006]

O minidocumentário a seguir foi produzido durante o Festival de Angouleme deste ano e teve sua estréia mundial no 2o Enquadrando que ocorreu no último sábado dia 19. Nele conhecemos um pouco mais sobre o quadrinista brasileiro radicado na França Leo. Para se ter uma idéia da popularidade deste homem nas terras de Napoleão, me foi mais fácil falar com Jim Lee e Moebius do que com ele. Além disso seus autógrafos eram dos mais concorridos e as senhas para conseguí-los já haviam se esgotado na manhã do dia em que ele estaria lá. Espero que gostem. Mais minidocumentários com quadrinistas brasileiros estão vindo. Aguardem.



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 4:51 PM

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[Sábado, Agosto 12, 2006]

Algumas capas de discos/CDs feitas por quadrinistas brasileiros:


Clássica capa de Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets feita por Alain Voss


Duas capas de Marcatti para os discos Brasil e Anarkophobia dos Ratos de Porão (que já foram personagens de quadrinhos também)

Capa de Ziraldo para o disco A Grande Música de Sérgio Ricardo

Capa de Melopéia de vários artistas musicando sonetos de Glauco Matoso (que também já foi personagem)

Capa do disco IV da banda Exxotica ilustrada por Mozart Couto

Capa do CD A Invasão do Sagaz Homem Fumaça do PLanet Hemp feita por Marcelo Gaú


Capas do Cd e DVD de Barulhinho Bom de Marisa Monte feitas com imagens de Carlos Zéfiro

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:53 AM

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[Sábado, Julho 29, 2006]

Carta aos amigos fanzineiros.

Olá a todos vocês amigos fanzineiros que lêem o Gibiblog.
Como algum de vocês já sabem, eu tenho residência na França, pelo menos por mais um ano, mas até o final de agosto estarei aqui em São Paulo, Brasil. Como a maioria de vocês provavelmente não sabe eu moro na cidade de Poitiers e lá existe simplesmente a maior fanzinoteca do mundo, a Fanzinotheque de Poitiers. Pois bem, caros fanzineiros, eu me disponho publicamente aqui a levar na minha mala todos os fanzines (ou revistas independentes) que me forem mandados até o dia 27 de agosto aqui em meu endereço brasileiro. A fanzinoteca guarda fanzines do mundo todo e recebe pesquisadores e interessados também do mundo e seria, no meu entender, uma ótima oportunidade da divulgação e, de certa forma, preservação, de seu fanzine. Portanto se você, amigo fanzineiro, estiver interessado basta me escrever um email em caioARROBAmagicovento.com.br (troque a palavra ARROBA pelo símbolo @ na hora de me enviar) que eu te responderei mandando meu endereço postal. Eu agradeceria muitíssimo se vocês me mandassem duas cópias de seus fanzines (uma para eu guardar para mim), mas compreendo que às vezes os custos são altos demais para sair por aí dando cópias de graça. Fazendo uma pequena digressão, como me é peculiar, eu gostaria de dizer a todos vocês que é muito importante saber para QUEM entregar uma cópia de seu fanzine ou revista pois nunca se sabe o que pode ocorrer a partir daí. Por exemplo, no último festival de Angoulême, quando o Moebius passava em algum estande ele saia com sacolas cheias sem gastar um euro, os editores faziam questão de dar-lhe as revistas que consideravam as melhores. No entanto, eu não sou o Moebius (quem me dera) e se você me enviar apenas um exemplar de cada um dos seus fanzines que deseja ter na fanzinoteca eu me comprometo a não guardá-lo para mim e entregá-lo para o responsável lá na fanzinoteca.
Isto posto, tenho de dizer que o artista WILSON VIEIRA, que já foi por nós entrevistado na época do lançamento de Cangaceiros e que têm também uma história publicada aqui por nós (procure FERAS nos links anteriores, você não vai se arrepender, o meu amigo Edd Barbier deve publicá-la em breve em sua revista francesa BdM) acaba de lançar seu novo blog. Pois visitem: http://brasilhq.ilcannocchiale.it e confiram os trabalhos do roteirista brasileiro mais "fummetti" que existe. Além disso o Wilson também está lançando uma revista nova, GRINGO que ele define como "um western, no melhor estilo spaghetti, com desenhos maravilhosos de Aloísio de Castro e capa sensacional de RenatoGuedes".
Por agora é só, volto em breve.

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 1:17 AM

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[Quarta-feira, Julho 19, 2006]

Neste primeiro post do dia, divulgo desde já um evento que só vai acontecer em agosto, o 2o Enquadrando, que pretende ser bimestral. Eu farei o máximo para participar deste evento, até porque não quero perder o Zalla ao vivo, e talvez eu apresente lá um vídeo que fiz em Angoulême.
Falando do Marko "o cara" Ajdarić, que organiza esre evento, ele me mandou uma coisa que eu ainda não tinha percebido, apesar de a minha mãe assinar o Diário do Grande ABC aqui em casa. A edição do último domingo, dia 16, trouxe uma referência ao Gibiblog na seção Blogs interessantes. Além disso o site http://www.sobresites.com/quadrinhos/blogs.htm nos divulga comentando que apresentamos "ótima qualidade". É muito gratificante ser citado por outros, ainda mais quando nos pega de surpresa.

Segue uma prévia de como será o Enquadrando:


No dia 19/08, acontece a segunda edição do Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo - , na Gibiteca Henfil (Centro Cultural São Paulo: Rua Vergueiro, 1000, com rampa direta da estação Vergueiro do metrô), de 15(*) às 18 horas (depois, livre adesão para confraternização em um bar próximo).

Temos já confirmados, para sessões de comunicação de 15 minutos

Rodolfo Zalla, para falar sobre Héctor Germán Oesterheld, numa homenagem aos 50 anos de El Eternauta

Daniel Bueno, para falar sobre a Suda Mery K.! (revista que pretende ser uma ponte da produção sul-americana de quadrinhos) e sobre seus novos livros ilustrados (Cosac e Naify e Companhia das Letrinhas)

Renato Araújo, da Batbase, para falar sobre (e exibir) o fan-film brasileiro do Batman.

Marcio Baraldi, para falar sobre seu novo álbum

Alguém da Conrad Editora, para falar sobre o novo espaço na sede da editora aberto ao público.

Leonardo Pascoal, para falar sobre a nova edição da Quadreca e sobre suas tiras pessoais.

Audalio Dantas, para falar sobre seu livro a respeito da infância de Mauricio de Sousa e sobre a ponte que a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) pode fazer entre HQs e jornalismo.

Fly, da Yamato, para fazer um balanço do Anime Friends e do Fanzine Expo 2006.

Rodrigo Arco e Flexa, para falar sobre sua dissertação de mestrado acerca dos super-heróis publicados pela EBAL

Antonio Eder, para falar sobre Osvaldo (dele e Edgard Guimarães), que saiu no fnal de junho, pela Marca de Fantasia

No evento, será feita uma homenagem aos 5 anos do HQ Maniacs, que serão cumpridos exatamente no dia 19 / 08

Haverá uma mostra, que se extenderá até 10 de setembro, que pretende mostrar o que brasileiros andam publicando lá fora, entre álbuns, cartuns, autopublicações, participações em gibis e coletâneas.

(*)Haverá uma pequena exposição de trailers de filmes de animação sobre quadrinhos em produção ou recém lançados, além de sorteio de gibis e álbuns, a partir das 14:00, para garantir que as pessoas cheguem até as 15 horas.

Fotos do 1º Enquadrando http://www.neorama.com.br/q_enquadrando.htm

O evento é organizado por Marko Ajdarić, editor do Neorama dos Quadrinhos

Crédito: a arte do Enquadrando foi realizada por Marcos Gratão, a partir de idéia nossa.

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:10 AM

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[Segunda-feira, Julho 17, 2006]

Olá a todos.
John Lennon já disse que a vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados em fazer planos, pois eu já estou há quase um mês no Brasil e havia me proposto a já ter feito muitas coisas tanto para o Gibiblog quanto para minha vida pessoal e profissional. Acontece que, ironia do destino, passei mal durante quase um mês inteiro fazendo com que o início de minha estadia em meu país de origem não fosse exatamente da forma que planejei. Mas depois de muitas horas de cama e várias visitas médicas volto a postar. E aproveitando que estou de volta, e que devo ficar por aqui por um mês e meio ainda, vou tentar atualizar bastante o blog sobre quadrinhos brasileiros preferido de todo mundo.
Desde que comecei a ser acometido por minha doença, que, ainda bem, parece estar curada, tenho a intenção de dar um direito de resposta aqui no Gibiblog. Em um post passado eu critiquei a postura de um colega, o Alexandre Nagado com o seguinte comentário:

"Recentemente, encontrei uma matéria no site omelete em que o Alexandre Nagado diz que o pesquisador brasileiro Moacy Cirne tem um "raciocínio preconceituoso, controverso e radical", simplesmente porque ele disse que nenhum super-herói pode ser considerado totalmente nacional. Leiam bem o que estou escrevendo aqui: não tenho absolutamente nada contra o Nagado, nem o conheço pessoalmente e até me lembro de comprar as revistas Blue Fighter e Street Fighter em que ele fazia os roteiros lá pelos idos dos 90. Mas, espero realmente que ele tenha se dado ao menos ao trabalho de ler algum dos livros do Cirne antes de escrever uma besteira deste tamanho, o que duvido muito."

Bom, o Alexandre Nagado deixou a resposta nos meus comentários e para que todos leiam, pois sei que nem todo mundo clica nos comentários reproduzo ipsis literis a resposta:

"Colega, eu li sim material do Moacyr (sic) Cirne. Li, e discordo de alguns pontos. Ok? Vivemos numa época em que, se alguém discorda de algo "aclamado", é por ignorância, por desconhecimento. No fim, essa discussão é uma bela perda de tempo. Eu sou descendente de orientais, sem miscigenação, não tenho identificação nenhuma com a cultura afro-brasileira, folclore daqui e nem outros estereótipos. E sou BRASILEIRO, com orgulho e sem ser ufanista. A preocupação deveria ser fazer HQ boa ou ruim. E até isso é subjetivo, salvo critérios técnicos de execução. No Japão, já se fez mangá ambientado na revolução francesa. Na França e Itália, se fez faroeste. E não venha dizer que Blueberry não é quadrinho francês. Ok, a forma narrativa é européia, a arte não segue os parâmetros dos comics, mas a temática e gênero não são europeus. E por aí vai. Podemos discordar cordialmente, mas não venha com essa de duvidar que eu li uma coisa antes de criticar."

Pois bem está aí publicada sua resposta Alexandre. Mas sou forçado a dizer que ainda creio que quando se chama alguém de preconceituoso e radical deve-se, minimamente, citar o autor em suas proposições, e demonstrar como ele chega à conclusão que chega. Quando disse que duvidava de que você tenha lido a obra, isso foi causado pelo meu enorme espanto ao ver os termos pelos quais tratou o Cirne. Deixo claro, mais uma vez que só conheço o Moacy Cirne de leituras e que apesar de uma vez ele já ter visitado aqui o meu blog eu duvido muito que ele se lembre que eu existo. No entanto eu não consigo encontrar nada nas obras que possuo e li escritas por ele em que se caracterize o preconceito, por exemplo. Quando na página 14 de A Linguagem dos Quadrinhos de 1971 ele diz:
"Além disso, calculemos que a metade dêstes 29,6% (material exclusivamente nacional) seja composta de criações baseadas em modelos estrangeiros (o grupo EDREL, Judoka, Raio Negro etc.) e que ..."
Não há nada de preconceituso nisso. O Judoka era, como todos sabemos, uma cópia modificada do Judo Master americano e o Raio Negro era bastante inspirado no Lanterna Verde. Trata-se de uma constatação e não de um ato de preconceito.
Não vejo problema nenhum em que se discorde de "aclamados". Aliás eu acho que sempre é necessário duvidar de tudo o que se vê e ouve, principalmente quando é algo que todo mundo diz. Mas acho que em algumas situações os "aclamados" são citados de terceira mão. Ouve-se tanto falar de algo que se "sente" que já o leu. Pouquíssima gente leu Moby Dick, o livro de Herman Melville, por exemplo. Muita gente já viu os filmes ou algum tipo de adaptação e por isso considera ter lido o livro... Mas não leu. Pouquíssima gente sabe que metade do livro é a história do Ahab (ou Acab como aparece em algumas traduções) e de Ismael e que a outra metade é um estudo sobre o animal. Quase ninguém sabe que nesse livro, justamente na parte dedicada ao estudo da baleia, o autor diz que apesar de muita gente achar que a baleia é um mamífero isso é ridículo, pois ela é mesmo um peixe, pois tem todas as características de peixe e só pode ser um tipo de peixe. Lógico que naquela época as ciências não estavam tão desenvolvidas quanto estão hoje e que as pessoas chegavam a conclusões por meios não tão científicos assim, mas, de acordo com a visão de nossa época, Melville está totalmente equivocado. O que acabei de fazer aqui foi criticar um "aclamado" (e creio que pouca gente é tão aclamada quanto o Melville) e mostrar o porquê. Para ser melhor ainda eu deveria ter me dado ao trabalho de abrir o livro e copiado tintim por tintim a parte em que ele diz isso. Mas como se trata de apenas um exemplo, não creio que seja necessário, certo?
Concordo, ainda, com você em muitas das coisas que você diz. Realmente, muitas vezes, é difícil definir o que seja uma história em quadrinhos brasileira. "Cangaceiros" de Hermann, por exemplo, é uma história em quadrinhos pela qual eu tenho tanto carinho que até mesmo tenho vontade de incluir na categoria HQ brasileira apesar da nacionalidade de seu autor. Pelo menos há uma presença brasileira na consultoria que o Júlio Emílio Braz prestou nela. Falando em J. E. Braz, ele é um dos artistas que mais admiro nos quadrinhos e na cultura de massa em geral. Quem sabe um dia ainda tenho o prazer de entrevistá-lo. A propósito, se vocês nunca leram Cangaceiros de Hermann apressem-se em aprender a ler em francês para fazê-lo (saibam que o Hermann se deu ao trabalho de aprender português para escrevê-la), vocês vão ver que vale a pena. Bom, já uma revista do Batman ilustrada e arte-finalizada por brasileiros não é brasileira. Não vou entrar em maiores detalhes, mas creio que já entenderam, né. Me vêm à cabeça que certa vez ao ler uma história da literatura inglesa o autor dizia já na introdução que só consideraria na obra o que fosse escrita em inglês. Portanto as coisas que o Fernando Pessoa escreveu em inglês, língua em que era totalmente fluente devido à infância passada na África do Sul, poderiam ser consideradas como literatura inglesa, mas a famosa "Utopia" de Thomas Morus não, por ter sido escrita em latim... São tudo questões de critérios. Mas já me alonguei demais e tudo isso são divagações, mera perda de tempo como você mesmo afirmou...
De qualquer forma, caro Alexandre, eu não tive a intenção de questionar o seu trabalho, até porque, como já falei antes, eu mesmo já cheguei a comprar revistas suas. Tenho apenas a preocupação de que a crítica (que praticamente inexiste em nosso país, o que há muito é diálogo de fã, que é muito diferente) a respeito da arte seqüencial passe a ser encarada de forma mais... crítica, justa e imparcial (se é que pode haver imparcialidade em crítica). Creio que você mereça todo o respeito por ser mais um dos batalhadores que já tentaram fazer quadrinhos no Brasil.

Tenho de sair para tomar um café com uma amiga, mas ainda hoje devo postar mais algo novo.
Depois da chuva vem a bonança.
Um abraço a todos

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 7:10 PM

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[Quarta-feira, Maio 31, 2006]

Meu amigo Marko "o cara" Ajdaric me enviou as informações sobre esse novo evento e eu espero que todos os que estejam lá por perto possam ir. Ele bem que poderia ter esperado mais duas semanas para que eu também pudesse estar lá na inauguração,, mas, se tudo der certo, estarei lá no próximo. Deixo claro aqui, no entanto, que não concordo com o termo "bimensal". Acho que o Marko deveria usar "bimestral" porque causa muito menos confusão... Mas isso não tem a menor importância.


Neste sábado, dia 3 de junho, na Devir, acontece a 1ª edição do ENQUADRANDO, evento bimensal em São Paulo (sempre aos sábados) promovido por Marko Ajdaric que tem por objetivos

1) Estreitar os laços entre os profissionais da Nona Arte, neste momento tão promissor para os quadrinhos, no Brasil
2) Apresentar aos aficcionados de quadrinhos nichos nos quais se encontram obras de / sobre HQs, ilustração e humor de traço para além das normalmente encontradas em comic-shops (pretende-se expor em destaque algumas publicações que compõem o acervo de cada um dos locais).

PROGRAMA:

14:00 horas:exibição do DVD de Patoruzito, o filme mais vista na história da Argentina, baseada na HQ de Dante Quinterno (confira artigo sobre a primeira apresentação no Brasil) e que está estreando na grade do Cartoon Network, na América do Sul.

15:30 início das apresentações de profissionais que estão com trabalhos em andamento no período, ou com lançamentos recentes, a idéia é que os convidados falem para outros profissionais e aficcionados sobre o que estão aprendendo com seus trabalhos atuais.

Pela ordem:

Carlos Costa / HQ Maniacs, falando sobre a edição brasileira de Invincible e Walking Dead, de Robert Kirkman
Orlando Pedroso, da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil), fazendo um balanço do Ilustra Brasil 3, e sobre o HQ Mix
Representante da Devir, falando sobre Fábulas (de Bill Willingham, Mark Buckingham e Steve Leialoha)
Ruy Jobim Neto, falando sobre a ida de Jarbas ao Timor-Leste
Franco de Rosa, falando sobre a edição do Fantasma pela Opera Graphica
Gonçalo Junior, falando sobre seus livros recentes e sobre 'O Messias', álbum realizado em conjunto com Flávio Luiz
Fausto, falando sobre seu livro auto-editado Traço Extra
Paulo Stocker, falando sobre seu novo livro de cartuns, Stockadas
Renato Torelli, da Lumus, falando sobre a experiência em editar os manhwas Priest e Planet Blood
Odair Braz Jr, da Pixel, falando sobre as iniciativas deste novo selo brasileiro
Marko Ajdaric, que vai apresentar 3 produções do 'interior' do Brasil.

17:30 Mesa-redonda com profissionais que estão produzindo para o mercado externo: Julia Bax, Renato Guedes, Sam Hart e Greg Tocchini.

19:00 Encontro informal em um boteco próximo.


A Devir fica no Cambuci, na Rua Teodureto Souto, 642 em São Paulo. A Teodureto Souto é uma paralela da Avenida Lins de Vasconcelos, na altura do número 750. (confira o mapa http://www.devir.com.br/images/mapa_devirp.jpg)


Marko Ajdaric
Neorama dos Quadrinhos
A mais ampla newsletter da Nona Arte do Mundo
http://www.neorama.com.br



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:34 PM

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[Segunda-feira, Maio 29, 2006]

A questão do porquê


Se esta não é a primeira vez que você visita o Gibiblog, há grandes chances de que você seja um leitor de história em quadrinhos. Se é um leitor de quadrinhos que já veio ao Gibiblog mais de uma vez, creio que é provável que você se interesse minimamente pelos quadrinhos nacionais. Se você é um leitor de histórias em quadrinhos que só lê histórias em quadrinhos nacionais e rejeita tudo o que não for verde amarelo como se fossem meros dejetos, eu devo te aconselhar a repensar um pouco sua atitude não só perante aos quadrinhos como perante a própria vida. Será que existe alguém que só come comida nacional? Alguém que não pode degustar nada que não seja nativo do Brasil e que não coma receitas que venham do exterior. Imagine ser privado de pizza, macarrão, sushi, e até mesmo do nosso cafezinho... Eu não conheço ninguém assim. Mas eu tenho lido, internet afora, que muita gente quer boicotar os quadrinhos estrangeiros, e só posso dizer que seria uma grande pena.
Para mim, a essência do Brasil começa quando poucos dias depois da chegada das caravelas, os índios fazem música e os portugueses, junto a eles, também dançam. Esta é uma passagem da carta de Cminha. Foi naquele dia que começou a se criar isso que chamamos de cultura brasileira. Me vem à mente o conceito da sinergia para definir o que começou a acontecer naquele dia. A cultura brasileira não é o simples resultado dos componentes que a formam, ela ultrapassa tudo isso, mas, ainda assim, ela necessita dos seus componentes originais.
Isso tudo para dizer-te que se você espera que o Gibiblog apóie qualquer campanha anti-quadrinhos de qualquer nacionalidade, aconselho-te a retirar o eqüino da perturbação pluviométrica.
Mas digamos que você seja uma pessoa sensata que leia quadrinhos e não "quadrinhos americanos" ou "quadrinhos brasileiros", simplesmente quadrinhos. Se você for uma pessoa assim, provavelmente já se deparou por esses caminhos virtuais com inúmeras discussões acerca do quadrinho brasileiro, porque ele não funciona, o que há de errado ou que há de certo. Eu sempre vejo este tipo de coisa, mas não costumo entrar nessas discussões porque elas costumam ser povoadas de ¿extremistas¿, que não costumam entender que pode haver pessoas que possuem uma opinião diversa da deles.
O que vou fazer aqui não é me estender e minuciosamente analisar todos os aspectos do quadrinho nacional (que na verdade é o que eu gostaria de fazer, mas tenho 134 provas da faculdade para corrigir, se possível eu futuramente deixarei este texto mais completo). O que farei é simplesmente é listar alguns dos argumentos (e alguns lugares-comuns) que sempre aparecem neste tipo de discussão e dizer porquê concordo, ou não com eles. Vamos lá.


Os super-heróis não funcionam no Brasil porque não somos patrióticos.
Concordo plenamente que os super-heróis não costumam funcionar no Brasil, mas creio que o motivo esteja longe de ser este. Para falar a verdade, na minha opinião o patriotismo brasileiro só se compara ao americano. Se você já teve a oportunidade de estar numa roda em que cada um dos participantes seja de uma nacionalidade diferente, rapidamente vai perceber que geralmente é o brasileiro que começa conversas do tipo "no Brasil é muito melhor" ou ainda "no Brasil é muito pior". O que acontece é que nós somos uns megalomaníacos, e quando não conseguimos ser os melhores em alguma coisa, ficamos obcecados em sermos os piores. Mas sempre queremos aparecer, no melhor estilo "falem mal, mas falem de mim". Nós temos uma atitude estranhíssima em relação a outros países, só aceitamos o que vem daquele que é o dominante, e ignoramos, e até mesmo desprezamos, os outros. Preferimos saber de tudo o que vem dos EUA e simplesmente desprezar o que vem da Argentina. É uma pena porque o quadrinho argentino é simplesmente sensacional, Oesterheld já fazia nos anos sessenta o que a Vertigo só começou a fazer nos oitenta. Mas nós não queremos saber disso, preferimos acreditar que nós não somos parte da América Latina, apenas da América. Lógico que não é só com quadrinhos, é com tudo.
O mais engraçado de tudo pra mim é que muita gente perde tempo discutindo o que seria um super-herói 100% nacional, sem se dar conta que a proposição, em si, já é ilógica, já que como o próprio conceito de ¿super-herói¿ não é nacional, a tarefa já começa sendo impossível. Para mim isso parece mais com um ¿koan¿ zen do que com um tema a ser debatido. E eu tenho certeza que mesmo como "koan" tentar ouvir o som das palmas d uma mão só é muito mais eficiente.
Recentemente, encontrei uma matéria no site omelete em que o Alexandre Nagado diz que o pesquisador brasileiro Moacy Cirne tem um "raciocínio preconceituoso, controverso e radical", simplesmente porque ele disse que nenhum super-herói pode ser considerado totalmente nacional. Leiam bem o que estou escrevendo aqui: não tenho absolutamente nada contra o Nagado, nem o conheço pessoalmente e até me lembro de comprar as revistas Blue Fighter e Street Fighter em que ele fazia os roteiros lá pelos idos dos 90. Mas, espero realmente que ele tenha se dado ao menos ao trabalho de ler algum dos livros do Cirne antes de escrever uma besteira deste tamanho, o que duvido muito.
Para alguns esse é um dos grandes problemas da internet, pois ela permite que todo mundo dê sua opinião, seja ela embasada ou não. No entanto, isso para mim não é problema nenhum, já que a mesma internet dá a todo mundo o direito de resposta. O mais importante é que quem lê tire suas próprias conclusões.
Pra falar a verdade, o próprio Cirne, que certa vez já deixou um comentário neste humilde blog, deve ligar muito pouco para isso e seus livros estão aí, ainda que quase todos esgotados, para que qualquer um tire a prova.
Pessoalmente eu não tenho nada contra os quadrinhos de super-heróis, na verdade até leio alguns, mas, para ser sincero, acho a grande maioria deles uma bela porcaria. Não que eles sejam maus em si, apenas que não me sinto mais bem lendo eles, desde que completei meus 17, 18 anos de idade. E quando tentam fazer o que se chama de quadrinhos sugeridos para "mature readers" que se costuma traduzir em português como "quadrinho adulto" (que para mim dá impressão de que se trata de quadrinho erótico, mas como não consigo pensar em nome melhor, uso esse mesmo), aí sim que piora de vez. Neste momento mesmo eu não consigo pensar em nenhum quadrinho adulto de super-herói que seja realmente feito para adultos. Na verdade eles são feitos para que os adolescentes se sintam mais maduros já que na capa está escrito ¿para adultos¿. É uma atitude parecida com a do menino de 14, 15 anos que compra uma garrafa de cachaça porque acha que ficando bêbado vai parecer mais adulto.
Pessoalmente eu prefiro os quadrinhos de super-heróis que ficam dentro do próprio gênero. Para citar quadrinhos brasileiros, para mim a Mulher Estupenda de J J Marreiro é um exemplo perfeito de um quadrinho nacional de super heroi que funciona bem. Dos americanos eu cito as adaptações para quadrinhos das séries animated do Superman, Batman e da Liga da Justiça (que por sua vez já são adaptações dos quadrinhos).

Eu tinha planejado colocar outros pontos ainda neste post, mas aqui já é quase meio dia e preciso corrigir no mínimo umas trinta prova ainda hoje. Continuo no próximo. Até mais.

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 6:55 AM

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[Domingo, Abril 30, 2006]

HQ MIX

Olá a todos.
No momento me ocupo em dar os toques finais em minha tese de primeiro ano de mestrado, e agora que a greve nas faculdades aqui da França acabou, também terei bastante trabalho acumulado dando aulas de reposição. Em outras palavras, não esperem ver muitos posts novos no próximo mês. Mas juro que publico em breve as entrevistas com os quadrinistas brasileiros aqui da França.
Neste ínterim, saiu a lista de indicados do HQ MIX, e eu me permitirei aqui de dar meu pitaco. Se você é um dos cadastrados para votar pode ou não levar meus comentários em consideração, viva a liberdade de expressão!
E lá vamos nós, para ficar dentro do escopo deste blog só falarei sobre os nacionais:

1) DESENHISTA NACIONAL
( ) Allan Sieber (Vida de Estagiário)
( ) Fábio Moon & Gabriel Bá (Rolando)
( ) Ivan Reis (Superman)
( ) Marcello Quintanilha (Salvador)
( ) Miguel (Leugim) (Vida e Morte Severina)
( ) Mike Deodato (Hulk)
( ) Spacca (Santô e os Pais da Aviação)
( ) Outro:

Eu votaria no Spacca, para coroar o grande tempo que de pesquisa que ele dedicou ao seu álbum, e por ser um dos mestres ativos.

3) ROTEIRISTA NACIONAL
( ) André Diniz, de Chalaça, o amigo do imperador (Conrad)
( ) Caco Galhardo, Dom Quixote (Peirópolis)
( ) Gonçalo Junior, de Claustrofobia (Devir)
( ) Marcatti, Mariposa (Conrad)
( ) Osmarco Valadão, The Long Yesterday (Comic Store)
( ) Spacca, de Santô e os Pais da Aviação (Companhia das Letras)
( ) Wellington Srbek, Muiraquitã Especial e Monstros (independente)
( ) Outro:
Eu votaria em outro. Me perdoem todos os ótimos roteiristas que estão na lista, mas para mim, quem merece um prêmio é o WANDER ANTUNES. Que desenhistas brasileiros você conhece que publicam e fazem sucesso no exterior? Um montão, certo.
Agora e os roteiristas? Bom tem o Léo, que é desenhista também, e para mim deveria receber um prêmio diferente, algo como: "prêmio desculpe-nos por não nos termos lembrado de você há tanto anos". Diga-se de passagem, o endeusamento de artistas que trabalham nos Estados Unidos e o quase esquecimento que se dá a gente como o Léo mostram que pouco a pouco nós vamos oficializando o estatuto de colônia do país do Tio Bush. Mas voltando ao Wander, esse cara escreve coisas com muita qualidade. Álbuns como "Big Bill est mort" e "L'oeil du diable" têm roteiros que são simplesmente geniais, daqueles que dá até gosto de falar que é fã de quadrinhos. Quem sabe se derem prêmio pra ele, estes álbuns são publicados em terras brasileiras.

5) DESENHISTA REVELAÇÃO
( ) Fábio Lyra (Mosh!)
( ) Joacy Jamys (Independente)
( ) José Aguiar (vencedor Mundo dos Quadrinhos)
( ) Julia Bax (Kaos e Quabra-Queixo)
( ) Manoel Magalhães (The Long Yesterday)
( ) Rafael Coutinho (Bang Bang)
( ) Rod Pereira (Ronin Soul)
( ) Outro:
Eu aqui faço a "discriminação positiva" e dou o prêmio para a Júlia Bax. Uma menina brasileira que gosta de e desenha (e super bem!) quadrinhos. Cara, que coisa rara. Ela merece prêmio.

6) CHARGISTA
( ) Angeli (SP)
( ) Chico Caruso (RJ)
( ) Jean (SP)
( ) Paulo Caruso (SP)
( ) Rico (MG)
( ) Seri (SP)
( ) Simanca (BA)
( ) Outro:

Também aqui votaria em outro. Apesar de estar afastado do Brasil há algum tempo e não estar acompanhando bem o trabalho de todos eles, eu votaria no Laílson para sair do eixo Rio-São Paulo.

7) CARICATURISTA
( ) Baptistão (SP)
( ) Dálcio Machado (Campinas/SP)
( ) Fernandes (SP)
( ) Gilmar Fraga (RS)
( ) Gustavo Duarte (SP)
( ) Lézio (MG)
( ) Quinho (MG)
( ) Outro:

Sou um filho do ABC paulista e cresci lendo o Diarinho do Diário do Grande ABC aos domingos. Pois eu voto no FERNANDES, com certeza.


14) PUBLICAÇÃO MIX
( ) Caô (independente)
( ) Clériston e a banda dialógica (independente)
( ) Front 16 ¿ Morte (Via Lettera)
( ) Kaos (Mantícora)
( ) Marvel Max (Panini)
( ) Mosh! (independente)
( ) Outro:
O prêmio vai para a KAOS, por ter tido coragem.

30) LIVRO TEÓRICO
( ) A Saga dos Super-Heróis Brasileiros, de Roberto Guedes (Opera Graphica)
( ) Cultura Pop Japonesa, vários autores (Hedra)
( ) Dicionário do Morcego, de Silvio Ribas (Flama)
( ) Narrativas Gráficas, DE Will Eisner (Devir)
( ) Os Guias DC de Roteiro e Desenhos (Opera Graphica)
( ) Reinventando os Quadrinhos, de Scott McCloud (M. Books)
( ) Tentação à Italiana, de Gonçalo Junior (Opera Graphica)
( ) Outro:

Não posso opinar nesta categoria, mas acho estranho que absolutamente nada da MARCA DE FANTASIA seja mencionado.

38) SITE DE QUADRINHOS
( ) Areia Hostil (http://www.areiahostil.com.br)
( ) Candyland (http://www.candyland.com.br/quadrinhos/hq.htm)
( ) Cortante (www.cortante.com.br/)
( ) Joacy Jamys(http://www.joacyjamys.com.br/quadrinhos.php?id=Quadrinhos)
( ) Nona Arte (www.nonaarte.com.br)
( ) Pixels (http://www.pixels.com.br/)
( ) Quadrinhos Institucionais (http://www.andrehq.com/)
( ) Outro:

Eu gosto muitíssmo do Nona Arte.

39) SITE SOBRE QUADRINHOS
( ) Bigorna (www.bigorna.net)
( ) Fábrica de Quadrinhos (www.fabricadequadrinhos.com.br)
( ) Herói www.heroi.com.br)
( ) HQ Maniacs (www.hqmaniacs.com)
( ) Sobrecarga (www.sobrecarga.com.br)
( ) Universo HQ www.universohq.com)
( ) Zine Brasil (http://zinebrasil.zip.net)
( ) Outro:

Poxa vida, ninguém lembrou do Gibiblog. Bom, sei que não mereço pela falta de atualizações, mas prometo que nos próximo meses vou tentar ser melhor. No entanto, como também esqueceram do Neorama e do Melhores do Mundo, quer dizer que estou em boa companhia. Mas destaco o fato de terem começado a prestar atenção em site de gente como a Michelle do Zine Brasil que faz um site sem fins lucrativos e, assim como eu, não tem grana para uma grande produção.

42) JORNALISTA ESPECIALIZADO NO SEGMENTO
( ) Carol Almeida (Jornal do Commercio)
( ) Jones Rossi (Jornal da Tarde)
( ) Marcelo Castilho Avellar (Estado de Minas)
( ) Marcelo Costa Ribeiro (O Dia ¿ Teresina)
( ) Marco Aurélio Canonico (Folha de S.Paulo)
( ) Marko Ajdaric (Neorama e Bigorna)
( ) Sidney Gusman (Universo HQ e Wizard)
( ) Outro:

O Ajdaric é o cara.

Para todos os quesitos nos quais não votei, é porque não me julgo apto devido ao meu afastamento.
Mas, é apenas a minha opinião, e o que seria do amarelo...

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 3:06 PM

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[Domingo, Março 12, 2006]

Tive o prazer de conhecer e entrevistar Túlio Caetano no festival de Angoulême que ocorreu na última semana de janeiro deste ano. Túlio já está há algum tempo aqui na França e ele é a prova viva de que a vida aqui no "primeiro mundo" pode ser tão difícil quanto a do Brasil. No entanto ele também é prova de que com talento e persistência pode-se vencer em qualquer lugar, até mesmo fazer quadrinhos na terra dos quadrinhos. No próximo post, publicarei a entrevista que fiz com Túlio na ocasião do Festival. Os posts seguintes tratarão de brasileiros que fazem quadrinhos aqui na França. Muitos deles são ilustres desconhecidos no Brasil (mesmo entre os mais ardorosos fãs de quadrinhos) apesar da fama que alguns aqui alcançaram. Pois o GibiBlog segue em sua vocação de audaciosamente ir onde nenhum outro site de quadrinhos brasileiros jamais esteve, e de trazer a você, paciente leitor, o que há de realmente interessante na HQ brasileira.
A história a seguir é um relato em quadrinhos feito pelo Túlio a respeito de sua estadia na França e das dificuldades de ser um estrangeiro aqui. A tradução para o português foi feita por mim e vocês podem, e devem, conferir o original que o Túlio faz em francês em oups, monvisa!.
Até a próxima, e com vocês EXPLICAçÕES de Túlio Caetano:

(Clique nos quadrinhos para vê-los no tamanho normal.)


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por CAIO CESAR CHRISTIANO * 2:04 PM

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[Segunda-feira, Dezembro 26, 2005]

Dia 11 fevereiro de 2006 ocorre o 22º Dia do Quadrinho Nacional, e a entrega do consagrado Prêmio Angelo Agostini. Mais informacoes no site www.bigorna.net. Segue a lista de todos os premiados.

1984: Eugênio Colonnese, Jayme Cortez, Messias de Melo e Rodolfo Zalla (mestres). O editor Itagyba de Oliveira da revista Inter Quadrinhos.

1985: Gedeone Malagola, Júlio Shimamoto e Nico Rosso (mestres), Watson Portela (desenhista), Júlio Emilio Braz (roteirista), Chiclete com Banana/Circo e Medo/Press (lançamentos).

1986: Flávio Colin, Sergio Lima e Henfil (mestres), Mozart Couto (desenhista), Gilberto Camargo (roteirista), Bundha/Press (lançamento), Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (especial) e, pelos 50 anos dedicados aos quadrinhos, um troféu especial para Jayme Cortez.

1987: Cláudio Seto, João Batista Queiroz e Luiz Sá (mestres), Spacca (desenhista), Fernando Gonsales (roteirista), Radar/Press (lançamento). Neste ano, foi intituído o Troféu Jayme Cortez para os incentivadores da HQ nacional, entregue ao Marcatti.

1988: Rubens Francisco Lucchetti, Jaguar e Álvaro de Moya (mestres), Laerte Coutinho (desenhista), Luiz Aguiar (roteirista), Seleções do Quadrix, Garra Cinzenta/Waz (lançamento), Jal e Gualberto (Troféu Jayme Cortez).

1989: Miguel Penteado, Walmir Amaral e Ziraldo (mestres), Gustavo Machado (desenhista), Novaes (roteirista), Menino Maluquinho/Abril (lançamento), Franco de Rosa (Troféu Jayme Cortez).

1990: Aylton Thomas, Reinaldo de Oliveira e Primaggio (mestres), Hector Gomez (desenhista), Laerte Coutinho (roteirista), Piratas do Tietê/Circo (lançamento), Franco de Rosa (Troféu Jayme Cortez).

1991: Izomar Camargo, Ismael dos Santos e André Le Blanc (mestres), Gustavo Machado e Lourenço Mutarelli (desenhistas), Laerte Coutinho (roteirista), Graphic Trapa/Abril (lançamento) e Worney A. Souza (Troféu Jayme Cortez).

1992: Mauricio de Sousa, Waldir Igayara e Carlos Zéfiro (mestres), Marcelo Campos (desenhista), Laerte Coutinho (roteirista), Pau-Brasil/Vidente (lançamento), Panacéa (fanzine) e Gibiteca Henfil (Troféu Jayme Cortez).

1993: Ely Barbosa, Lyrio Aragão e Getúlio Delphin (mestres), Marcelo Campos (desenhista e roteirista), SemiDeuses/Saga (lançamento), Panacéa (fanzine) e Edgar Guimarães (Troféu Jayme Cortez).

1994: Ivan Saindenberg, Paulo Fukue e Roberto Fukue (mestres), Fernando Gonsales (desenhista), Arthur Garcia (roteirista), Mulher Diaba no Rastro de Lampião/Nova Sampa (lançamento), Marvel News (fanzine) e Edgar Guimarães (Troféu Jayme Cortez).

1995: Helena Fonseca, Paulo Hamasaki e Antonio Duarte (mestres), Arthur Garcia (desenhista), Lúcia Nóbrega (roteirista), Coleção Assombração/Ediouro (lançamento), Informativo de Quadrinhos Independentes (fanzine) e Edgar Guimarães (Troféu Jayme Cortez).

1996: Fernando Ikoma, Maria Aparecida Godoy e Oscar Kern (mestres), Sebastião Seabra (desenhista), Laerte Coutinho (roteirista), Gibizão da Turma da Mônica/Editora Globo (lançamento), Informativo de Quadrinhos Independentes (fanzine) e Edgard Guimarães (Troféu Jayme Cortez).

1997: Carlos Thiré, Manoel Victor Filho e Zezo (mestres), Marcelo Campos (desenhista), Marcelo Cassaro (roteirista), Metal Pesado/Metal Pesado Editora (lançamento), Informativo de Quadrinhos Independentes (fanzine) e Metal Pesado Editora (Troféu Jayme Cortez).

1998: Deodato Borges, Luiz Antonio Sampaio e Péricles (mestres), Laerte Coutinho (desenhista), Marcelo Cassaro (roteirista), Cybercomix/Editora Bookmakers (lançamento), Mocinhos e Bandidos (fanzine) e Editora Bookmakers (Troféu Jayme Cortez).

1999: Adolfo Aizen, Moacy Cirne e Renato Silva (mestres), Marcelo Campos (desenhista), Gian Danton (roteirista), Dobro de Cinco/Devir Editora (lançamento), Quadrinhos Independentes (fanzine) e Edgar Guimarães (Troféu Jayme Cortez).

2000: Edson Rontani, Ivan Watsh Rodrigues e Renato Canini (mestres), Flávio Colin (desenhista), André Diniz (roteirista), Fawcett/Editora Nonarte (lançamento), Quadrinhos Independentes (fanzine) e Edgar Guimarães (Troféu Jayme Cortez).

2001: Antonio Cedraz, Claudio de Sousa, Edmundo Rodrigues, Ignácio Justo, Ionaldo Cavalcanti, José Delbó, Luis Sátiro, Luiz Saindenberg, Luscar, Nani, Osvaldo Talo, Rubens Cordeiro e Zaé Júnior (mestres), Flávio Colin (desenhista), Wellington Srbek (roteirista), Fábrica de Quadrinhos/Devir (lançamento), Quadrinhos Independentes (fanzine) e Editora Opera Graphica (Troféu Jayme Cortez).

2002: Otacilio D'Assunção, Laerte Coutinho, Moacir Rodrigues, Antônio Eusébio e Tony Fernandes (mestres), Júlio Shimamoto (desenhista), Wellington Srbek (roteirista), Madame Satã/Opera Graphica (lançamento), Quadrinhos Independentes (fanzine), Editora Opera Graphica (Troféu Jayme Cortez), Cláudio, Spacca, Marcio Baraldi, Lupin e Bira (cartunista), Alexandre Silva, Lilian Mitsunaga, André Vazzios, André Hernandez, Alexandre Jubran (arte-técnica), Franco de Rosa, Carlos Mann, Roberto Guedes, André Diniz e Edgar Guimarães (editores), Erica Awano, Emir Ribeiro, Marcelo Borba, Sílvio Spotti e Omar Viñole (arte-final), Impacto, Quanta, Esa, Graphis e Abra (escolas), D-Arte, Ebal, Vecchi, Grafipar e GEP (editoras clássicas), Escala, Via Lettera, Devir, O Pasquim e Virgo (editoras atuais), Comix Boop Shop, Revistas & Cia, Point HQ, Banca Flávio e Itiban (lojas), Cida Cândido, Gonçalo Junior, Gualberto Costa, Sidney Gusman e Giovanni Voltolini (amigos da HQ nacional) e Gibiteca de Curitiba, Gibiteca Henfil, Salão de Humor de Piracicaba e Núcleo de HQ da Fau-Usp (entidade).

2003: Angeli, Angelo Agostini, Carlos Estêvão, Chico Caruso e Rivaldo (mestres), Mozart Couto (desenhista), Marcelo Cassaro (roteirista), Roko-Loko (Opera Graphica Editora) (lançamento), Quadrinhos Independentes (Edgar Guimarães) (fanzine), Franco de Rosa e Roberto Guedes (editores), Alexandre Jubran e André Vazzios (artistas de arte-técnica), Mozart Couto e Renato Guedes (arte-finalistas), Bira e Marcio Baraldi (cartunistas), André Diniz, Sidney Gusman e Opera Graphica Editora (Troféu Jayme Cortez).

2004: Luiz Gê, Minami Keizi e Paulo Caruso (mestres), Wanderley Felipe (desenhista), Fábio Moon e Gabriel Bá (roteirista), Roko-Loko e Adrina-Lina Atacam Novamente (Opera Graphica Editora) (lançamento), Quadrinhos Independentes (Edgar Guimarães) (fanzine), Marcio Baraldi (cartunista), Roberto Guedes (Troféu Jayme Cortez) e Diogo Saito (prêmio especial Hermes Tadeu-colorista).

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 12:26 PM

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[Terça-feira, Dezembro 06, 2005]

A história que se segue, Feras, tem roteiro de Wilson Vieira (já entrevistado no Gibiblog) e desenhos de Alberto Pessoa. Ela não foi publicada em revista e apareceu originalmente no website http://www.feras.rg9.net . Segue o que nos diz Alberto a respeito da historia e de sua parceria com o roteirista:
Sobre a historia

Trata-se de um Fumetto feito por brasileiros fãs da arte do velho continente, onde procuramos explorar o tema da fome e, de certo modo, das crenças que um indivíduo possa ter na loucura da fome.
Foi uma HQ feita somente à lápis. Trata-se, na verdade, da versão 1.0 do Web Novel. Pretendo ir atualizando a arte, o que torna a web Novel diferente da Graphic Novel impressa.

Sobre a parceria:

A minha parceria com o Wilson é totalmente Virtual. O conheci através do seu trabalho com quadrinhos de cangaço e através de trocas de e-mails e admiração mútua no trabalho de cada um, resolvemos realizar uma web novel.
Apesar do Wilson ser especialista em western, esse é o meu 1° trabalho com o fumetto, já que o grosso do meu trabalho é na área do cartuns e quadrinhos undergrounds. (pode ser visto no meu site www.albertopessoa.rg3.net)
Mesmo assim , bebendo na fonte de artistas como José Ortiz e Pasqualo Fricensa conseguimos realizar um trabalho que agradou tanto um autor como o outro.
O diferencial da Web Novel da Graphic Novel é o fato de pensarmos nela como um organismo de eterna atualização. Ou seja, faremos atualizações constantes na arte e no conteúdo de Feras, o que em uma Graphic Novel seria impossível.



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por CAIO CESAR CHRISTIANO * 12:25 PM

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