"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" Pablo Picasso

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[Sábado, Outubro 30, 2004]

RETRATOS DE ARTISTAS BRASILEIROS 1


Os retratos, a seguir, vêm de um anúncio para a revista Medo da editora Press mostrando a constelação de feras do quadrinho nacional que estariam presentes na publicação. Muitos deles publicaram recentemente pela Opera Graphica. A única diferença é que naquela época você podia encontrar três ou quatro revistas com histórias dos caras nas bancas todos os meses. Além disso, o preço das revistas não era algo que assustava e provavelmente convertendo-se para a moeda atual, poderia-se comprar todas as quatro ou cinco publicações nacionais da editora por um preço menor do que se paga pelos "festejados" albuns que se lança hoje em dia.


Julio Shimamoto e Mozart Couto

Olendino e Júlio Emílio Braz

Watson Portela e Deodato Filho (ou Mike Deodato Jr.)

S.R. Seabra (ou Sebastião Zéfiro) e Maringoni

Jorge Fischer e Ofeliano

Mano e Ennio Torresan

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 12:30 PM

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[Sexta-feira, Outubro 29, 2004]

A história de Péricles que se segue foi originalmente publicada na revista O Cruzeiro em 1952.
Eu, porém, fiz o scan da republicação na histórica revista Monga - A Mulher Gorila editada por Jal e Gual pela editora Press em 1988.
Clique nas miniaturas para ver as imagens em tela cheia.



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por CAIO CESAR CHRISTIANO * 7:46 PM

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[Quinta-feira, Outubro 28, 2004]


Eu sou natural de São Caetano do Sul e torcedor fanático do time da cidade, que é meu primeiro time.
O Gibiblog está em luto, no dia de hoje, devido ao passamento de nosso grande zagueiro Serginho.
Que Deus dê à família toda a paz necessária para atravessar esse momento e que ele tenha paz, onde quer que esteja.


por CAIO CESAR CHRISTIANO * 11:55 PM

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[Domingo, Outubro 24, 2004]


VERBETE DA ENCICLOPÉDIA LARROUSE CULTURAL - 1998


PÉRICLES de Andrade Maranhão, caricaturista brasileiro (Pernambuco 1924 - Rio de Janeiro RJ 1961). Ingressou nos Diários Associados em 1943, criando para a revista A Cigarra, As Aventuras de Oliveira Trapalhão. De 1944 a 1952 produziu várias figuras humorísticas. Foi, porém, com o Amigo da Onça, personagem malicioso e irreverente, "síntese sublimada do brasileiro", que se celebrizou. O personagem foi lançado na revista O Cruzeiro e fez grande sucesso sobretudo na década de 50.

ENTRADA DO DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA - 2001


amigo-da-onça s.m. infrm. amigo falso, hipócrita, infiel; amigo-urso; GRAM PL.: amigos-da-onça

VERBETE DA ENCICLOPÉDIA DOS QUADRINHOS DE GOIDA - 1990



PÉRICLES
Brasil (1924 - 1961)
Péricles de Andrade Maranhão, o famoso criador de O amigo da Onça, suicidou-se no último dia do ano de 1961. Escreveu cartas justificando o seu gesto, fechou todo o apartamento e asfixiou-se com gás de cozinha. Mesmo assim, não resistiu ao seu espírito de humor. Colocou na porta de entrada um aviso escrito à mão: " Não risquem fósforos".
Originário de Recife, Péricles começou a desenhar na revista do Colégio Marista, onde estudava. Em 1942, no peito e na coragem, um rolo de desenhos e uma carta de apresentação do seu amigo e jornalista Anibal Fernandes (do Diário de Pernambuco), Péricles chegou ao Rio de Janeiro. Apresentou-se a Leão Gondim de Oiveira, diretor da revista O Cruzeiro (cujo poderio naquela época era comparável ao da Rede Globo nos dias de hoje) e tornou-se um dos colaboradores mais moços daquela publicação.Começou trabalhando em quadrinhos, um típico personagem carioca, chamado Oliveria, o Trapalhão. Oliveira era um português bigodudo, que tinha como companheiro de trapalhadas um negro com jeito e camisa listrada de malandro, Laurindo. Publicadas inicialmente pelo Diário da Noite, as histórias de Oliveira chegaram também a O Guri, revista infanto-juvenil editada por O Cruzeiro. Em 1943, já com um estilo bem desenvolvido, Péricles resolveu criar um personagem humorístico fixo para O Cruzeiro, cuja circulação semanal já era muito boa. A idéia partiu de uma anedota comum na época. Dois caçadores conversavam num acampamento na floresta:
- O que você faria se uma onça aparecesse na sua frente?
- Ora, dava um tiro nela.
- Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
- Bem, então eu matava ela com meu facão.
- E se você estivesse sem facão?
- Apanhava um pedaço de pau.
- E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
- Subiria na árvore mais próxima.
- E se não tivesse nenhuma árvore?
- Eu saia correndo.
- E se você estivesse paralisado de medo?
O outro já irritado, retrucava:
- Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?
Marcado pelo estilo dos humoristas argentinos mais famosos da época - principalmente Divito e Lino Palácio - Péricles criou o seu "amigo da onça". Um cara baixinho, cínico, safado, que vivia aprontando poucas e boas com a cara mais deslavada deste mundo. O Amigo da Onça tornou-se a primeira página que todos liam em O Cruzeiro.
Ajudou a aumentar, em muito, a popularidade e circulação daquele semanário. Ganhou inclusive algumas histórias em quadrinhos também, embora Péricles nunca aproveitasse tudo que a fama do personagem permitia. Ele nunca utilizou sua criação em produtos comerciais e outras manobras de merchandising, que realmente ajudam a enriquecer muitos quadrinistas. Apesar de humorista de mão cheia, na vida particular era um tipo meio solitário e ensimesmado, principalmente depois que desquitou-se da mulher e perdeu o convívio com o filho. Acabou suicidando-se em 31 de dezembro de 1961. A sua criação, porém resistiu. Carlos Estevão, o segundo maior noe do humor gráfico da revista O Cruzeiro assumiu o personagem, até morrer, em julho de 1972. Aí, outros desenhistas tentaram uma nova continuidade, mas os tempos e a própria revista O Cruzeiro já eram bem outros. Ficou mesmo como imortal O Amigo da Onça de Péricles.

MATÉRIA DA REVISTA ÉPOCA - ESPECIAL BRASIL 500 ANOS - 2000



A espera pela última página

O país inteiro ria com as investidas incômodasdo Amigo da Onça

Naquele tempo, as pessoas andavam com um simbolozinho dourado de seu candidato na lapela. Tinha o tamanho de uma unha. Juscelino, pré-candidato antes de ser cassado, mandou fazer um alfinete desses que era um tratorzinho: JK-65. Carlos Lacerda era um urubu. Para as eleições de 1960, o ícone de Jânio era uma vassourinha, símbolo da limpeza generalizada que ele prometia. O alfinete do marechal Lott, ministro da Guerra e também candidato à Presidência, era uma espadinha. Então, uma das charges que mais me marcaram foi um Amigo da Onça daquele tempo. O próprio Exército estava dividido. Meu pai, por exemplo, então oficial de Cavalaria, votou em Jânio. O desenho tinha como cenário o gabinete do ministro militar. Em primeiro plano, próximo do leitor, careca, róseo, está Lott de costas. Caricatura perfeita. Como Péricles, o chargista, era bom. Vêem-se o birô e, em frente da mesa, um oficial com pedido de despacho favorável. E lá muito no fundo, pela porta entreaberta, o Amigo da Onça, fardado também: "Major, o senhor esqueceu a sua 'vassourinha' lá na minha mesa".

O Amigo da Onça era a primeira coisa de todos nós. Íamos direto para a última página de O Cruzeiro. Depois, decidiram mudá-lo para dentro da revista, toda semana numa página diferente, porque a maioria das pessoas via a piada e deixava o exemplar na banca. Tendo de procurar, ficava mais chato. Em geral, era uma gargalhada. Raramente diziam que o Amigo daquela semana não havia sido bom. Com freqüência, minha mãe tinha de me explicar a graça, com jeito, sobretudo quando eram piadas mais picantes. Péricles se matou num 31 de dezembro e foi um susto nacional. Botou um aviso de cuidado, selou o apartamento em que morava e abriu o gás. Que tristeza: numa véspera de Ano-Novo.

Por Cássio Loredano

O carioca Cássio Loredano é um dos mais respeitados nomes da caricatura brasileira. É colaborador assíduo dos jornais El País, de Madri, e O Estado de S.Paulo


coincidência?
a piada acima foi publicada em 1960, pouco mais de um ano antes de o autor se suicidar por asfixia. o site http://memoriaviva.digi.com.br/ocruzeiro/ possui várias reproduções de piadas do Amigo da Onça. Uma pena que não as disponibilizaram em tela cheia.


NO PRÓXIMO POST, UMA HQ DE 1952 COM O AMIGO DA ONÇA DE PÉRICLES.



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 6:57 PM

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[Sexta-feira, Outubro 22, 2004]

Uma expedição vai ártico em busca de vestígios de vida pré-histórica. O que eles não sabem é que vão encontrar muito mas do que fósseis.
A história a seguir, O MONSTRO tem roteiro de Helena Fonseca e desenhos de Eugênio Colonnese.
Ela foi publicada em 1967 na revista Seleções de Terror da Editora Taika.
Clique nas miniaturas para ver as páginas em tela cheia.




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por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:08 AM

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[Quarta-feira, Outubro 20, 2004]



aquarela para livro didático dos anos 70

ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003)

PARTE FINAL



Seguiu-se então uma época de grande dificuldade para o profissional de quadrinhos nacional. Pouquíssima coisa assinada por brasileiros, exceção feita à Maurício de Souza, era vista em bancas. A facilidade de se adquirir direitos de histórias estrangeiras dificultava ainda mais a situação: "Eu fiquei um tempo na Ebal e eles tinham 36 títulos. O mínimo que cada um vendia era 50.000 cópias. E essas editoras nunca deram chance a ninguém. Uma vez eu fui a uma reunião da Abril e eles queriam que eu fizesse um faroeste, o Gringo. O editor me ofereceu um valor bem baixo, porque o trabalho seria em grande quantidade. Ele deu um exemplo dizendo que se fosse no Ceasa comprar laranja no atacado, ele compraria mais e pagaria menos. Eu recusei o trabalho e mandei ele ir comprar laranjas no Ceasa."
Mas, felizmente, os anos 80 trouxeram um certo renascimento no interesse dos fãs de quadrinhos pelo material nacional. Os leitores de quadrinhos se deram conta que alem da Valentina de Crepax e da Barbarella de Forest havia espaço também para a Mirza de Colonnese, e sobre a sua gênese ele diz: "Todo mundo sempre gostou das minhas mulheres. Era no tempo da censura. Eu só precisava mostrar um pedaço da coxa e a molecada ficava louca. O dono da editora JS, Sidekersk, foi uma vez no meu estúdio. Ele gostava de tomar umas e eu também (risos). Ele estava no balcão e me disse: Eugênio, por que você não cria uma mulher vampiro. Eu já tinha o Millar, e o nome combinava. Aí eu fiz a Mirza."
Quando perguntamos o que ele pode passar aos novos talentos que ainda hão de surgir, Colonnese, que já há algum tempo exerce a profissão de professor, nos dá uma de suas lições: "O vencedor nunca desiste. Seja no desenho, ou para plantar batata, ou para vender abóbora. O que eu fiz me custou muito, mas fiz com prazer. Deus me deu talento. E eu abri meu caminho. Tive muitos momentos de lágrimas, mas as lágrimas secam."
Ë uma estranha sensação quando você encontra face a face alguém que fazia parte de sua vida já há algum tempo. Eu que me fascinava com as impressionantes gravuras nas histórias de terror que Colonnese ilustrou fiquei ainda mais impressionado com o otimismo e esperança que ele demonstra ainda hoje, mais de meio século após ter iniciado na nona arte. Quando lhe perguntamos qual era seu melhor trabalho, Colonnese sorriu e respondeu-nos: "Ainda tá pó vir"

NÂO PERCAM, NO PRÓXIMO POST,
UMA HISTÓRIA COMPLETA DE COLONNESE COM ROTEIRO DE HELENA FONSECA.

cena da clássica "De Volta ao Mundo do Terror" de 1981.



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:52 PM

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[Segunda-feira, Outubro 18, 2004]


Mirza - a musa do artista

ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003)

PARTE 3



Iniciou-se então um período de produção frenética para Colonnese. Ele fazia tantas revistas que mal tinha tempo de ver o resultado final publicado, algo que na visão do próprio artista prejudicou um pouco a qualidade de seu trabalho: "Aqui eu fazia roteiro, capa.... E tudo e era publicado. Mas eu não tinha concorrente. Então algumas coisas que eu fiz eram uma porcaria. Naquela época eu nunca olhei um gibi meu. Eu achava uma merda. Eu fazia 8 paginas em um dia."
Outra novidade que Colonnese encontrou no Brasil foi o comportamento de certos editores. Algo que lamentavelmente nos acostumamos a chamar de jeitinho brasileiro: "Na época o editor não tinha confiança no desenhista nacional. A gente chegava e eles pediam as revistas, pagavam com vales, não era profissional. O pessoal também tinha um ritmo diferente, Uns dias não estavam inspirados e não trabalhavam. Mas eu e o Zalla éramos diferentes, viemos de lugares diferentes e éramos acostumados a cumprir prazos. Aqui não era profissional, não tinha dia para pagamento e as revistas não chegavam a tempo nas bancas. Tinha um editor, ele dizia para mim: O público brasileiro não entende nada; é só sujar as páginas e já está bom. Mas isso foi naquele tempo, hoje mudou bastante. Uma das melhores editoras que eu já vi na vida é a Opera Graphica. A Opera Graphica, dirigida pelo Carlos Mann e Franco de Rosa, deu para o artista nacional um espaço que a Abril nunca deu, com um trabalho que eu tenho orgulho de participar. Os álbuns meus que eles publicaram são maravilhosos. O papel é de primeira e tudo."
Essa falta de profissionalismo por parte dos editores provocou um afastamento do mestre de sua arte de origem. Por longos anos os fãs de quadrinhos pensaram que nunca mais veriam a arte de Colonnese em bancas de revistas novamente. Mas ele ainda estaria por perto. Era a vez de os alunos nos bancos escolares terem contato com a sua arte. E se você estudou nos anos 70 e 80 no Brasil, é muito improvável que você não tenha já usado um livro didático com desenhos de Colonnese para ilustrar os textos: "Em 1969 era quase meia noite e eu estava na Praça da Sé com o Zalla. Ele comentou que tinha uns contratos pra fazer livros didáticos. A princípio eu não gostei da idéia, mas pagava muito mais do que quadrinhos. Até 1980 eu pensei que nunca mais ia voltar a fazer quadrinhos. No final dos 60 eu tinha 6 ou 7 revistas por mês na banca. O Zalla tinha mais 6 ou 7 e eu trabalhava muito. Quando a gente parou, o quadrinho brasileiro parou. A gente vendia muito na época. Revistas com 30, 40 mil exemplares por mês na banca. Mas a distribuição era ruim e tinha a máfia das bancas."

NÂO PERCAM A PARTE FINAL NO PRÓXIMO POST



arte original do autor


por CAIO CESAR CHRISTIANO * 6:38 PM

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[Domingo, Outubro 17, 2004]

ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003)

PARTE 2



Apesar de ter conseguido entrar no meio quadrinístico, Colonnese ainda não estava fazendo o que sempre havia sonhado: "as tiras americanas eram cortadas para se adaptar ao formato de revista e eu fazia os reparos. Nos desenhos faltavam carros, coisas assim e eu tinha que completar usando o mesmo estilo do autor. Mas ainda não era isso que eu queria. E queria era desenhar mesmo as histórias em quadrinhos. Aí, uns cinco anos depois, o Enrique Lipszyc da Escola Panamericana de Arte me convidou para fazer uns desenhos. Eu estava com uns desenhos na El Tony aí o Rubens que era diretor de publicidade encontrou um deles e me perguntou: você quer desenhar?"
Foi nesse período que Eugênio Colonnese começou a se tornar um nome reconhecido em território argentino: "Eu fazia clássicos da literatura como Robert Louis Stevenson e coisas de cinema. E tinha uns outros personagens meus, personagens que duraram 5 ou 6 anos. Eles pagavam bem e eu já tinha uma casa e tudo... só trabalhando com quadrinhos."
Mas as fronteiras argentinas já começavam a ficar pequenas demais para o artista, chegava a hora de outros povos conhecerem o trabalho de Colonnese: "pouco tempo depois eu recebi um convite da Fleetway para trabalhar lá. Isso em 1961, mais ou menos. Eu desenhei e eles adoraram. Me mandaram um "with compliments". A revista se chamava Time of War. Eu trabalhei 40 dias. Eu nem sei quanto eu ganhei, mas deu pra comprar um carro importado. O Osvaldo Talo encontrou a revista na Inglaterra e me mandou. Eu vi a revista e quando cheguei na última página não tinha a minha assinatura. Eu já estava com o segundo roteiro em mãos. Peguei ele e joguei fora."
Os anos sessenta, porém, apesar de terem apresentado um extremo florescimento cultural na arte pop em todos os lugares do mundo, foram também anos de crise bastante acentuada em toda a América Latina. Isso não poderia deixar de causar um impacto na vida de Colonnese e, mais do que tudo, na história do quadrinho nacional: "Eu tinha carro importado, móveis Luís XV, tudo isso só com histórias em quadrinhos. Mas antes do carnaval de 63 começou uma inflação galopante na Argentina; aí eu fui à editora e disse que o que eu estava ganhando não estava dando. A editora me ofereceu 15%. Isso não ia dar para nada. O Osvaldo Talo tinha ido para o Brasil e quando voltou tinha ficado hospedado em minha casa. Uma vez eu dei uma carona para o Talo, e ele saiu e eu fiquei esperando ele voltar. Enquanto eu esperava ele chegar, chegaram duas ciganas apontaram para o carro e disseram: 'Quer vender?', 'quero', eu respondi. Com o dinheiro eu fui ao Brasil. Quando eu estava aqui um pessoal de editora viu meus desenhos e compraram. Ao voltar, vendi tudo e como já tinha família aqui - minha mãe é brasileira - vim morar em Santo André. Depois o Zalla me convidou para trabalhar. Eu fui na El Tony falar com o editor que disse que ia me dar 15% e disse que ia embora para o Brasil. Ele disse que me dava 50% e depois até 100%. Eu já tinha vendido tudo. Não tinha mais volta."
Mas se nos anos 60 a crise assolava toda a América latina, ela também foi acompanhada de um extremo florescimento cultural em todas as mídias. Algo que no Brasil, dificilmente volte a encontrar par. Quase todos os maiores nomes do cenário quadrinístico nacional começam a aparecer por essa época, e não tardaria para que Colonnese estivesse trabalhando ao lado de outras lendas da arte seqüencial nacional: "Aqui no Brasil eu já conhecia o Jayme Cortez e ele me deu uma carta de apresentação pro Aizen. A turma do Cortez me acolheu porque eles não gostavam dos 'chupadores' gente que copiava arte de outros. Minha arte era original."

NÂO PERCAM A PARTE 3 NO PRÓXIMO POST





por CAIO CESAR CHRISTIANO * 12:36 PM

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[Sábado, Outubro 16, 2004]

ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003) 

PARTE 1



A chuva já começava a ameaçar lavar as escadas do paço municipal de Santo André quando entramos no prédio da Biblioteca com destino ao subsolo, onde se localiza a Gibiteca Municipal da cidade, em uma tarde do final de setembro. Lá dentro já esperava por nós uma lenda viva do quadrinho nacional. Estávamos lá Adilson, responsável pela Gibiteca de Santo André, Ricardo, representando a Gibiteca de São Bernardo e eu, representando várias gerações de brasileiros que consciente ou inconscientemente já ao menos uma vez viram uma das ilustrações do mestre. Pois a obra de Eugênio Colonnese não se resume aos quadrinhos, "Eu fiz de tudo: revista religiosa (católica, israelita), livros didáticos, capa de revista de cordel, capa de disco, fui editor de arte..." diz o mestre. Mas foi com os quadrinhos que este italiano por nascimento que cresceu na Argentina e é brasileiro por opção ganhou a merecida projeção. "Eu já vivo aqui em Santo André há mais de trinta anos. Eu sou daqui".
Como não poderia deixar de ser, as revistas em quadrinhos fazem parte das primeiras memórias de Colonnese, "Eu trocava brinquedos pelos gibizinhos, Flash Gordon, Príncipe Valente, Fantasma, qualquer revista, até sem capa. O desenho já nasceu comigo. A gente gostava dos personagens sem conhecer o desenho. Aí eu comecei a discernir o que era bom e o que não era. Eu queria mesmo era desenhar. Eu desenhava em qualquer lugar, meus livros de trigonometria eram todos desenhados nas contracapas, qualquer espaço em branco...".
Colonnese conta que certa vez os quadrinhos quase foram responsáveis por um fim prematuro para sua carreira de artista: eu estava atravessando a rua com uma revista na mão e quase fui atropelado por um ônibus. Quando cheguei, meu pai me deu uma grande bronca. Ele tinha visto tudo porque estava dentro do ônibus." Mas o artista teve um apoio especial para iniciar a carreira: "meu pai também gostava de quadrinhos, ele me deu muito apoio".
Na Argentina em meados dos anos quarenta, um garoto percebeu que poderia ver algum retorno com sua diversão predileta: "O primeiro desenho que fiz foi para uma revista de piadas no Chile, eu tinha uns 12 ou 13 anos. Passou um tempo e eu vi a revista publicada e tinha meu nome e a piada. Recebi um cheque depois e pensei: eu estou brincando e ganhando dinheiro com isso!".
A constelação de artistas que, à época, trabalhava na Argentina também parecia propiciar o surgimento de grandes talentos da nona arte: "Em Buenos Aires tínhamos o Hugo Pratt, o (José Luis) Salinas, o Breccia, o João Molina. O (Héctor Germán) Oesterheld para mim é o maior roteirista do mundo. Quando eu conheci o Salinas ele me deu um autógrafo e disse para eu continuar. Eu traçava meus desenhos e passei a bater na porta dos profissionais . Não os grandes porque, tirando o Salinas, que eu conheci, eram todos inacessíveis."
No entanto, não tardaria para que a primeira oportunidade fosse dada ao jovem ilustrador, obviamente com alguns "nãos", como sempre acontece com os grandes nomes: "Uma vez, eu fiz uma adaptação do Morro dos Ventos Uivantes da Emily Bronté. Minha mãe passava comida por baixo da porta porque eu ficava o dia todo desenhando. Na editora eu levei e eles me disseram para eu voltar lá pelas 6. Fiquei esperando no sofá. Eu sentei e tinha dois profissionais lá. Um deles viu meus desenhos e disse: Esse garoto nunca vai ser desenhista: as mãos que ele desenha parecem garras. Aí o editor olhou os originais , jogou tudo na mesa e disse: volta daqui a uns dois meses. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu tinha um caderno com todas as listas das editoras e voltava sempre nelas. Eu não desistia. Eu acho que, na verdade, os meus professores reais, quem mais estimulou foram essas editoras que me disseram não. Eu não entendia nada de papel, pincel... e gastava todo meu dinheiro comprando essas coisas. E ninguém me ensinava. Uma vez vi um tubinho de guache e perguntei o que era. O cara escondeu e disse que não era nada. Podia muito bem ter me dito que servia pra apagar quando você erra... Aí, mais ou menos em 1950, teve um concurso da El Tony e eu ganhei. A medalha de ouro é de ouro 18k mesmo, não é pintada. Foi isso que me abriu os caminhos. Em 1950, por aí, a El Tony atingia a tiragem de 300.000 exemplares. Ela tinha quadrinhos para crianças e adultos. Para adultos era romance, filmes transformados em quadrinhos, e coisas assim. O dono da editora Ramón Columba me chamou para trabalhar e depois virou um grande fã meu."

NÂO PERCAM A PARTE 2 NO PRÓXIMO POST





por CAIO CESAR CHRISTIANO * 10:35 PM

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~~~PRIMEIRO POST~~~



Sejam todos muito bem-vindos a GIBIBLOG.

Meu nome é Caio Christiano e me apaixonei pelas histórias em quadrinhos antes mesmo de ter idade suficiente pra saber se gostava ou não de alguma coisa. O fato é que o tempo passou e muitas paixões também passaram, mas o meu amor pelo gibi continuou lá intacto.
Este blog é minha humilde contribuição para a HQ brasileira. Nele eu não vou dar notícias do que rola na Marvel ou DC. Muito menos vou falar das novas superproduções cinematográficas de Hollywood que são baseadas em quadrinhos. Se você estiver procurando por isso, desculpe, mas veio ao lugar errado. Aqui, procurarei abrigar notícias, matérias e pensamentos sobre a arte sequencial nacional. Eu também tentarei postar alguns scans de HQs nacionais. Só espero não ter nenhum problema com copyright já que tudo será para fins estritamente culturais.
Nos próximos dias, eu enviarei uma matéria que fiz com Eugênio Colonnese para um fanzine da Gibiteca de São Bernardo que acabou não sendo publicado. Ela será publicada em partes, e logo após o fim da matéria vou postar alguns scans de histórias clássicas com o traço do mestre.
Eu estou sempre aberto a sugestões, por favor me digam o que gostam ou odeiam no blog, e eu farei o máximo para agradar a gregos e troianos.
Obrigado pela visita, e espero que vocês se tornem frequentadores assíduos do site.



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:23 PM

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