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[Sábado, Outubro 30, 2004] RETRATOS DE ARTISTAS BRASILEIROS 1 Os retratos, a seguir, vêm de um anúncio para a revista Medo da editora Press mostrando a constelação de feras do quadrinho nacional que estariam presentes na publicação. Muitos deles publicaram recentemente pela Opera Graphica. A única diferença é que naquela época você podia encontrar três ou quatro revistas com histórias dos caras nas bancas todos os meses. Além disso, o preço das revistas não era algo que assustava e provavelmente convertendo-se para a moeda atual, poderia-se comprar todas as quatro ou cinco publicações nacionais da editora por um preço menor do que se paga pelos "festejados" albuns que se lança hoje em dia.
Julio Shimamoto e Mozart Couto
Olendino e Júlio Emílio Braz
Watson Portela e Deodato Filho (ou Mike Deodato Jr.)
S.R. Seabra (ou Sebastião Zéfiro) e Maringoni
Jorge Fischer e Ofeliano
Mano e Ennio Torresan por CAIO CESAR CHRISTIANO * 12:30 PM ___________________ Comments:[Sexta-feira, Outubro 29, 2004] A história de Péricles que se segue foi originalmente publicada na revista O Cruzeiro em 1952.
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 7:46 PM ___________________ Comments:[Quinta-feira, Outubro 28, 2004]
___________________ Comments:[Domingo, Outubro 24, 2004]
VERBETE DA ENCICLOPÉDIA LARROUSE CULTURAL - 1998 PÉRICLES de Andrade Maranhão, caricaturista brasileiro (Pernambuco 1924 - Rio de Janeiro RJ 1961). Ingressou nos Diários Associados em 1943, criando para a revista A Cigarra, As Aventuras de Oliveira Trapalhão. De 1944 a 1952 produziu várias figuras humorísticas. Foi, porém, com o Amigo da Onça, personagem malicioso e irreverente, "síntese sublimada do brasileiro", que se celebrizou. O personagem foi lançado na revista O Cruzeiro e fez grande sucesso sobretudo na década de 50. ENTRADA DO DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA - 2001 amigo-da-onça s.m. infrm. amigo falso, hipócrita, infiel; amigo-urso; GRAM PL.: amigos-da-onça VERBETE DA ENCICLOPÉDIA DOS QUADRINHOS DE GOIDA - 1990 PÉRICLES Brasil (1924 - 1961) Péricles de Andrade Maranhão, o famoso criador de O amigo da Onça, suicidou-se no último dia do ano de 1961. Escreveu cartas justificando o seu gesto, fechou todo o apartamento e asfixiou-se com gás de cozinha. Mesmo assim, não resistiu ao seu espírito de humor. Colocou na porta de entrada um aviso escrito à mão: " Não risquem fósforos". Originário de Recife, Péricles começou a desenhar na revista do Colégio Marista, onde estudava. Em 1942, no peito e na coragem, um rolo de desenhos e uma carta de apresentação do seu amigo e jornalista Anibal Fernandes (do Diário de Pernambuco), Péricles chegou ao Rio de Janeiro. Apresentou-se a Leão Gondim de Oiveira, diretor da revista O Cruzeiro (cujo poderio naquela época era comparável ao da Rede Globo nos dias de hoje) e tornou-se um dos colaboradores mais moços daquela publicação.Começou trabalhando em quadrinhos, um típico personagem carioca, chamado Oliveria, o Trapalhão. Oliveira era um português bigodudo, que tinha como companheiro de trapalhadas um negro com jeito e camisa listrada de malandro, Laurindo. Publicadas inicialmente pelo Diário da Noite, as histórias de Oliveira chegaram também a O Guri, revista infanto-juvenil editada por O Cruzeiro. Em 1943, já com um estilo bem desenvolvido, Péricles resolveu criar um personagem humorístico fixo para O Cruzeiro, cuja circulação semanal já era muito boa. A idéia partiu de uma anedota comum na época. Dois caçadores conversavam num acampamento na floresta: - O que você faria se uma onça aparecesse na sua frente? - Ora, dava um tiro nela. - Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo? - Bem, então eu matava ela com meu facão. - E se você estivesse sem facão? - Apanhava um pedaço de pau. - E se não tivesse nenhum pedaço de pau? - Subiria na árvore mais próxima. - E se não tivesse nenhuma árvore? - Eu saia correndo. - E se você estivesse paralisado de medo? O outro já irritado, retrucava: - Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça? Marcado pelo estilo dos humoristas argentinos mais famosos da época - principalmente Divito e Lino Palácio - Péricles criou o seu "amigo da onça". Um cara baixinho, cínico, safado, que vivia aprontando poucas e boas com a cara mais deslavada deste mundo. O Amigo da Onça tornou-se a primeira página que todos liam em O Cruzeiro. Ajudou a aumentar, em muito, a popularidade e circulação daquele semanário. Ganhou inclusive algumas histórias em quadrinhos também, embora Péricles nunca aproveitasse tudo que a fama do personagem permitia. Ele nunca utilizou sua criação em produtos comerciais e outras manobras de merchandising, que realmente ajudam a enriquecer muitos quadrinistas. Apesar de humorista de mão cheia, na vida particular era um tipo meio solitário e ensimesmado, principalmente depois que desquitou-se da mulher e perdeu o convívio com o filho. Acabou suicidando-se em 31 de dezembro de 1961. A sua criação, porém resistiu. Carlos Estevão, o segundo maior noe do humor gráfico da revista O Cruzeiro assumiu o personagem, até morrer, em julho de 1972. Aí, outros desenhistas tentaram uma nova continuidade, mas os tempos e a própria revista O Cruzeiro já eram bem outros. Ficou mesmo como imortal O Amigo da Onça de Péricles. MATÉRIA DA REVISTA ÉPOCA - ESPECIAL BRASIL 500 ANOS - 2000 A espera pela última página O país inteiro ria com as investidas incômodasdo Amigo da Onça Naquele tempo, as pessoas andavam com um simbolozinho dourado de seu candidato na lapela. Tinha o tamanho de uma unha. Juscelino, pré-candidato antes de ser cassado, mandou fazer um alfinete desses que era um tratorzinho: JK-65. Carlos Lacerda era um urubu. Para as eleições de 1960, o ícone de Jânio era uma vassourinha, símbolo da limpeza generalizada que ele prometia. O alfinete do marechal Lott, ministro da Guerra e também candidato à Presidência, era uma espadinha. Então, uma das charges que mais me marcaram foi um Amigo da Onça daquele tempo. O próprio Exército estava dividido. Meu pai, por exemplo, então oficial de Cavalaria, votou em Jânio. O desenho tinha como cenário o gabinete do ministro militar. Em primeiro plano, próximo do leitor, careca, róseo, está Lott de costas. Caricatura perfeita. Como Péricles, o chargista, era bom. Vêem-se o birô e, em frente da mesa, um oficial com pedido de despacho favorável. E lá muito no fundo, pela porta entreaberta, o Amigo da Onça, fardado também: "Major, o senhor esqueceu a sua 'vassourinha' lá na minha mesa".
O Amigo da Onça era a primeira coisa de todos nós. Íamos direto para a última página de O Cruzeiro. Depois, decidiram mudá-lo para dentro da revista, toda semana numa página diferente, porque a maioria das pessoas via a piada e deixava o exemplar na banca. Tendo de procurar, ficava mais chato. Em geral, era uma gargalhada. Raramente diziam que o Amigo daquela semana não havia sido bom. Com freqüência, minha mãe tinha de me explicar a graça, com jeito, sobretudo quando eram piadas mais picantes. Péricles se matou num 31 de dezembro e foi um susto nacional. Botou um aviso de cuidado, selou o apartamento em que morava e abriu o gás. Que tristeza: numa véspera de Ano-Novo. Por Cássio Loredano O carioca Cássio Loredano é um dos mais respeitados nomes da caricatura brasileira. É colaborador assíduo dos jornais El País, de Madri, e O Estado de S.Paulo
coincidência? a piada acima foi publicada em 1960, pouco mais de um ano antes de o autor se suicidar por asfixia. o site http://memoriaviva.digi.com.br/ocruzeiro/ possui várias reproduções de piadas do Amigo da Onça. Uma pena que não as disponibilizaram em tela cheia. NO PRÓXIMO POST, UMA HQ DE 1952 COM O AMIGO DA ONÇA DE PÉRICLES. por CAIO CESAR CHRISTIANO * 6:57 PM ___________________ Comments:[Sexta-feira, Outubro 22, 2004] Uma expedição vai ártico em busca de vestígios de vida pré-histórica. O que eles não sabem é que vão encontrar muito mas do que fósseis.
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:08 AM ___________________ Comments:[Quarta-feira, Outubro 20, 2004]
aquarela para livro didático dos anos 70 ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003) Seguiu-se então uma época de grande dificuldade para o profissional de quadrinhos nacional. Pouquíssima coisa assinada por brasileiros, exceção feita à Maurício de Souza, era vista em bancas. A facilidade de se adquirir direitos de histórias estrangeiras dificultava ainda mais a situação: "Eu fiquei um tempo na Ebal e eles tinham 36 títulos. O mínimo que cada um vendia era 50.000 cópias. E essas editoras nunca deram chance a ninguém. Uma vez eu fui a uma reunião da Abril e eles queriam que eu fizesse um faroeste, o Gringo. O editor me ofereceu um valor bem baixo, porque o trabalho seria em grande quantidade. Ele deu um exemplo dizendo que se fosse no Ceasa comprar laranja no atacado, ele compraria mais e pagaria menos. Eu recusei o trabalho e mandei ele ir comprar laranjas no Ceasa." Mas, felizmente, os anos 80 trouxeram um certo renascimento no interesse dos fãs de quadrinhos pelo material nacional. Os leitores de quadrinhos se deram conta que alem da Valentina de Crepax e da Barbarella de Forest havia espaço também para a Mirza de Colonnese, e sobre a sua gênese ele diz: "Todo mundo sempre gostou das minhas mulheres. Era no tempo da censura. Eu só precisava mostrar um pedaço da coxa e a molecada ficava louca. O dono da editora JS, Sidekersk, foi uma vez no meu estúdio. Ele gostava de tomar umas e eu também (risos). Ele estava no balcão e me disse: Eugênio, por que você não cria uma mulher vampiro. Eu já tinha o Millar, e o nome combinava. Aí eu fiz a Mirza." Quando perguntamos o que ele pode passar aos novos talentos que ainda hão de surgir, Colonnese, que já há algum tempo exerce a profissão de professor, nos dá uma de suas lições: "O vencedor nunca desiste. Seja no desenho, ou para plantar batata, ou para vender abóbora. O que eu fiz me custou muito, mas fiz com prazer. Deus me deu talento. E eu abri meu caminho. Tive muitos momentos de lágrimas, mas as lágrimas secam." Ë uma estranha sensação quando você encontra face a face alguém que fazia parte de sua vida já há algum tempo. Eu que me fascinava com as impressionantes gravuras nas histórias de terror que Colonnese ilustrou fiquei ainda mais impressionado com o otimismo e esperança que ele demonstra ainda hoje, mais de meio século após ter iniciado na nona arte. Quando lhe perguntamos qual era seu melhor trabalho, Colonnese sorriu e respondeu-nos: "Ainda tá pó vir" NÂO PERCAM, NO PRÓXIMO POST,
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:52 PM ___________________ Comments:[Segunda-feira, Outubro 18, 2004]
ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003) Iniciou-se então um período de produção frenética para Colonnese. Ele fazia tantas revistas que mal tinha tempo de ver o resultado final publicado, algo que na visão do próprio artista prejudicou um pouco a qualidade de seu trabalho: "Aqui eu fazia roteiro, capa.... E tudo e era publicado. Mas eu não tinha concorrente. Então algumas coisas que eu fiz eram uma porcaria. Naquela época eu nunca olhei um gibi meu. Eu achava uma merda. Eu fazia 8 paginas em um dia." Outra novidade que Colonnese encontrou no Brasil foi o comportamento de certos editores. Algo que lamentavelmente nos acostumamos a chamar de jeitinho brasileiro: "Na época o editor não tinha confiança no desenhista nacional. A gente chegava e eles pediam as revistas, pagavam com vales, não era profissional. O pessoal também tinha um ritmo diferente, Uns dias não estavam inspirados e não trabalhavam. Mas eu e o Zalla éramos diferentes, viemos de lugares diferentes e éramos acostumados a cumprir prazos. Aqui não era profissional, não tinha dia para pagamento e as revistas não chegavam a tempo nas bancas. Tinha um editor, ele dizia para mim: O público brasileiro não entende nada; é só sujar as páginas e já está bom. Mas isso foi naquele tempo, hoje mudou bastante. Uma das melhores editoras que eu já vi na vida é a Opera Graphica. A Opera Graphica, dirigida pelo Carlos Mann e Franco de Rosa, deu para o artista nacional um espaço que a Abril nunca deu, com um trabalho que eu tenho orgulho de participar. Os álbuns meus que eles publicaram são maravilhosos. O papel é de primeira e tudo." Essa falta de profissionalismo por parte dos editores provocou um afastamento do mestre de sua arte de origem. Por longos anos os fãs de quadrinhos pensaram que nunca mais veriam a arte de Colonnese em bancas de revistas novamente. Mas ele ainda estaria por perto. Era a vez de os alunos nos bancos escolares terem contato com a sua arte. E se você estudou nos anos 70 e 80 no Brasil, é muito improvável que você não tenha já usado um livro didático com desenhos de Colonnese para ilustrar os textos: "Em 1969 era quase meia noite e eu estava na Praça da Sé com o Zalla. Ele comentou que tinha uns contratos pra fazer livros didáticos. A princípio eu não gostei da idéia, mas pagava muito mais do que quadrinhos. Até 1980 eu pensei que nunca mais ia voltar a fazer quadrinhos. No final dos 60 eu tinha 6 ou 7 revistas por mês na banca. O Zalla tinha mais 6 ou 7 e eu trabalhava muito. Quando a gente parou, o quadrinho brasileiro parou. A gente vendia muito na época. Revistas com 30, 40 mil exemplares por mês na banca. Mas a distribuição era ruim e tinha a máfia das bancas." NÂO PERCAM A PARTE FINAL NO PRÓXIMO POST
arte original do autor ___________________ [Domingo, Outubro 17, 2004] ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003) NÂO PERCAM A PARTE 3 NO PRÓXIMO POST ___________________ [Sábado, Outubro 16, 2004] ENTREVISTA COM EUGÊNIO COLONNESE (SETEMBRO DE 2003) NÂO PERCAM A PARTE 2 NO PRÓXIMO POST ___________________ ~~~PRIMEIRO POST~~~ ___________________ |