"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" Pablo Picasso

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O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil





[Sexta-feira, Janeiro 28, 2005]

ENTREVISTA COM EMIR RIBEIRO - PARTE 1

Em nosso país, é muito raro encontrar alguém que se dedique à arte e exclusivamente à arte. Encontramos pintores que são professores, músicos que são bancários dançarinas que são advogadas e quadrinistas que são funcionários públicos. É triste, mas, no Brasil, não causa nenhuma estranheza o fato de alguém tão talentoso quanto Emir Ribeiro não conseguir se dedicar exclusivamente à nona arte, mesmo depois de mais de 30 anos de profissão. Afinal, temos uma tradição em não privilegiar nossos artistas em vida. Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade eram ambos funcionários públicos, pois não era possessível viver de literatura. Não há muito mais o que dizer...
Sobre o entrevistado da vez no Gibiblog, ele é um daqueles que dispensa comentários no restrito mundo dos aficionados por gibis. Se você ainda não o conhece, meus pêsames, mas ainda há tempo, meu caro leitor. Saiba que ele é um daqueles artistas modestos, generosos e sem ataques de estrelismo. Ele respondeu meu e-mail um ou dois dias depois de eu tê-lo enviado, e não colocou nenhuma barreira para marcar uma entrevista on-line, via mensagens instantâneas, que durou cerca de duas horas.
Nascido em 7 de abril de 1959, na Paraíba, onde ainda reside, Emir Ribeiro, o primogênito de uma família de nove irmãos, parece mais do que nunca estar apaixonado pelos quadrinhos nacionais. Apesar de já ter trabalhado para a Marvel, e flagrante que seu amor primeiro são seus próprios personagens. Alias, alem de seus dois filhos no mundo real, Emir e um dos mais prolíficos criadores do Brasil , e tem uma considerável família de "filhos em arte seqüencial": Michèlle, Itabira, Cangaceiro e, obviamente, Velta, a mais conhecida de suas criações.
Para os interessados em adquirir algumas edições raríssimas, muitas delas mencionadas na entrevista, de autoria do próprio Emir e de outros artistas paraibanos como Deodato Filho, escrevam para o autor em emir_ribeirojp@yahoo.com.br ou visite o seu blog (um dos mais visitados na internet em termos de quadrinhos nacionais: http://velta.blig.ig.com.br
Com vocês, Emir Lima Ribeiro


GibiBlog : Olá!
Emir Ribeiro: Oi. Tudo beleza ?
GB: Sim, muito bem, e você?
ER: Sim. E com muitas ocupações.
GB: Bom, antes de tudo, muito obrigado pela atenção e por ter visitado o site!!!
ER: Não tem de quê. Costumo responder todas as mensagens (exceto as de propaganda).
GB: Bom, Velta já se chamou Welta ou foi apenas um erro do Goida na enciclopédia?
ER: Não. Foi o primeiro nome dela. O problema é que, quem não conhecia, tendia a ler "Uelta". Aí, a mudança foi necessária.
GB: Pensei que a mudança tivesse sido para deixá-la mais brasileira, ou algo assim
ER: Também. Uni vários itens.
GB: Já vi muitos heróis brasileiros que são meras cópias dos americanos, apenas que trocam Metrópolis ou Gotham por São Paulo ou Rio, a preocupação em mostrá-la sempre como uma heroína DO BRASIL é flagrante.... está certo afirmar isso?
ER: Eu penso o contrário. As editoras que a publicaram querem vê-la como heroína. Eu sempre quis fugir disso, mesmo quando era influenciado por esses heróis estrangeiros. A primeira coisa que fiz para tentar apagar esse estigma, foi fazê-la bem sensual, provocante, ao contrário das "heroínas" gringas, que são pudoradas ao extremo, partem para a briga como verdadeiros machões, e nem são muito chegadas em homens.
GB: sim, é verdade, não se trata de uma Mulher-Maravilha nacional...
ER: De jeito nenhum, apesar de algumas pessoas que nunca leram suas histórias, taxarem-na preconceituosamente como tal.
GB: Você disse que ERA influenciado pelos heróis gringos, você diria que não É mais?
ER: FUI, no início. Mas nem tanto assim. Hoje, não sou mais, pois as HQs que faço procuram passar longe daqueles velhos clichês deles, e não dou bola alguma para o "Código de Ética" ou "Comics Code".
GB: A edição de Velta que a editora Escala lançou saiu com o selo "RECOMENDÁVEL PARA MAIORES DE 12 ANOS"? é esse mesmo o público que você quer atingir, ou ainda mais velho?
ER: Velta já nasceu (em 1973) para um público mais adulto. Na época da ditadura militar e da censura braba, uma personagem andar de tanguinha e exibindo a bunda era um sacrilégio, e de maneira alguma recomendada para crianças, se bem que as crianças são muito mais espertas e informadas do que alguns adultos pensam.
GB: Já que você tocou no assunto, vamos voltar no tempo na época em que ela nasceu, aliás, até um pouco antes que tipo de coisas você lia e o que te fez se interessar por HQ?
ER: Quadrinhos de heróis. Com 6-7 anos, minha avó (hoje ainda viva e com 87 anos), costumava me levar ás compras, e sempre me presenteava com um Gibi de heróis. Fui, então, me viciando.
GB: Eram coisas da ebal?
ER: Exato. Da Ebal.
GB: E havia algum deles em especial que lhe chamava mais a atenção. Creio que a época a que você se refere foi o início da ERA MARVEL, certo?
ER: Na verdade, comecei com Solar, o Homem Átomo. Depois a Invictus, com Batman e Super-Homem, e só depois vieram os da Marvel.
GB: E o desenho foi algo que já nasceu contigo?
ER: Sim. Até por questão de descendência. Minha família tem muita gente que desenha. Uns desenvolveram, e outros não. Há uns anos, uns primos fizeram um levantamento genealógico e descobriram uma descendência do pintor Pedro Américo.
GB: Uau!!
ER: Eu sempre fui viciado em desenho. Tenho até uma compulsão, até hoje, de rabiscar algo até no trabalho. Na escola, enquanto as professoras estavam dando aulas, eu estava rabiscando os cadernos.
GB: Mas os quadrinhos sempre foram um objetivo ou qualquer tipo de ilustração lhe dá o mesmo prazer ? Sei que você fez vários Cards, por exemplo (e que pelo que sei foram um imenso sucesso).
ER: Sim. Depois que conheci os quadrinhos, se tornaram meu objetivo. Se pudesse viver exclusivamente de fazer HQ, seria a profissão de prazer (e não de obrigação). Também gosto de fazer ilustração, em geral, mas prefiro os quadrinhos, pois há mais possibilidade de se criar algo.
GB: O fato de você não estar no eixo Rio-São Paulo te atrapalhou de alguma forma nesse início?
ER: Acho que não. Talvez no início, sim, por causa dos contatos que tinha de fazer (pessoalmente, é sempre melhor que por carta). Mas isso não faz muita diferença, se podemos usar os correios para enviar materiais.
GB: Bom, voltando para a história...você conheceu os quadrinhos, se apaixonou por eles mas quando foi que começou a fazê-los?
ER: Logo depois de comprar as revistas. Lembro que minha primeira HQ, fiz o Solar combatendo o Thor. Eu achava o Thor um chato e fiz o Solar lhe dando uma baita surra. Deve ter sido aos meus 8 anos de idade, tomando por base a saídas das revistas.
GB: Humm, e quando foi que isso começou a se profissionalizar, fanzines e coisa e tal?
ER: Minha primeira publicação profissional foi uma série de tiras com Velta, a partir de 1º de agosto de 1975, no jornal "A União", daqui de João Pessoa. No dia 03 de agosto do mesmo ano, começou a sair uma série de meias páginas dominicais no jornal "O Norte". Estreei em dois jornais, praticamente ao mesmo tempo. E já fui pago pelo trabalho, num deles. Dominicais
GB: E como conseguiu esse contato? Isso acho que é de particular interesse para todos os novos autores, como se consegue ter o primeiro trabalho publicado
ER: Em "A União" foi porque meu pai havia trabalhado no mesmo jornal, e me apresentou às pessoas certas, que viram meus desenhos e acharam que ia encaixar nas tiras diárias, cujo autor regular, Tônio, com seu personagem "O Conde", estava saindo da página. Em "O Norte" eu fui na redação, e lá conheci Deodato Borges, pai do hoje "Mike Deodato", que coordenava o suplemento de quadrinhos. levei material da Velta e ele começou publicando, numa página de colaboradores gratuitos.
GB: E seu pai era jornalista?
ER: Não. Ele se formou em Direito e Licenciatura em História, mas, para ter seu salário no fim do mês, trabalhava em jornais, pois ele sabia manusear as máquinas chamadas linotipos.
GB: Entendo. Eu não sei como estão as coisas por aí... mas aqui em São Paulo os Suplementos de Quadrinhos praticamente morreram todos ou estão agonizando. Eles ainda são publicados na Paraíba?
ER: Não. Os daqui foram morrendo no início dos anos 80.
GB: Isso, a mesma coisa aqui, ficou apenas aquela meia página praticamente dominada pelos enlatados: calvin, peanuts, garfield¿ Que falta eles fazem hoje?
ER: Eu acho uma pena, pois popularizava os quadrinhos, e se revelava novos artistas brasileiros, mesmo publicando os enlatados. Se tivessem prosseguido, provavelmente teríamos mais brasileiros publicando.
GB: Bom, você então encontrou o Deodato pai... na mesma época você já conheceu o Deodato Filho ou ele ainda era muito jovem?
ER: Pouco depois. Quando apresentei o trabalho, ele comentou que tinha um filho que estava começando a desenhar, também. Lembro que ele perguntou se eu não queria trocar idéias com o Deodato Filho, pois o meu desenho estava mais evoluído que o dele. E, depois, ele nos apresentou, e ficamos amigos desde então.
GB: E já chegaram a fazer algo juntos?
ER: Sim. Deodato havia criado seu personagem "O Ninja", junto com outro amigo, chamado José Augusto. Como Velta já estava bem conhecida, combinamos fazer uma revista onde Velta apresentasse o Ninja. O roteiro foi e escrito por mim e Augusto; eu fiz o lápis e Deodato finalizou. isso foi em 1980. A revista só saiu em 1982.
GB: E isso foi publicado por qual editora? ou era edição independente?
ER: Por conta própria. Não sei como foi o esquema, mas o Deodato pai conseguiu a impressão.
GB: e obviamente isso é praticamente impossível de se encontrar hoje em dia
ER: Pelo contrário. Ele fez uma tiragem até grande. Devem ter uns 100 a 200 exemplares guardados na casa dele (com os grampos bem enferrujados).
GB: Uau... eu preciso desse contato muito urgente, viu!!!
ER: Se você me der o endereço para envio, fica fácil.
GB: Com certeza, no final eu te passo. E quanto aos jornais e outras publicações? você guardou tudo?
ER: Guardei quase tudo. Pode ter algo faltando, mas é muito pouco. Sempre fui de arquivar tudo que fazia. Tenho até uns poucos exemplares das revistas independentes que fiz e hoje são esgotadas.
GB: Bom, mas e quando foi que você teve o primeiro convite para editoras de âmbito nacional, a press por exemplo?
ER: No começo dos anos 80. O Franco Rosa, que também foi fanzineiro, já conhecia meu trabalho, e ao assumir a editoria da Press, me convidou a criar alguns personagens da linha erótica. Foram anos de produção efervescente.

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 7:03 PM

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ENTREVISTA COM EMIR RIBEIRO - PARTE 2

GB: Alguns autores sentem-se um pouco envergonhados de fazer pornô. Alguns chegam a usar pseudônimo. No entanto, inegavelmente no Brasil é uma das coisas que mais vende. Qual era a sua posição quanto a isso?
ER: Eu nunca tive vergonha de assumir que fiz. Vergonha é ser desonesto, ser pilantra ou prejudicar outras pessoas. Como fazer HQ erótica não engloba nada disso, porque ter vergonha ?
GB: Concordo
ER: O chato é que muita gente tenta se espelhar no "Comics Code" gringo, que nada mais é do que pura hipocrisia.
GB: Falando em pseudônimos, você usou seu próprio nome mesmo quando trabalhou no mercado americano, certo?
ER: Sim.
GB: Não sentiu necessidade de adicionar, um Richard, ou Charles, ou um Emmil? risos
ER: Jamais faria isso, pois não tenho vergonha do nome que me foi dado. Além de não ter visto necessidade de adotar um nome estrangeiro.
GB: Pois é... foi uma coisa que sempre pensei... Quando eu era moleque um dos desenhistas que eu mais gostava era José Luiz Garcia Lopez e ele nunca mudou seu nome pra Joseph, e está até hoje por lá
ER: E o cara ainda é um dos melhores, mesmo já velho.
GB: Com certeza
GB: Você também trabalhou com terror que é outra das vertentes do quadrinho nacional.
ER: Sim. Tenho até uma personagem chamada Michèlle, a Vampira, que foi lançada no mesmo jornal "A União", em tiras diárias. Depois relancei-a na Press, nas revistinhas de terror que saiam.
GB: E entre os autores que te inspiravam, você poderia citar algum ou você diria que não se ligava a nomes?
ER: Tem vários. Nico Rosso, R.F. Lucchetti, José Menezes, Mozart Couto, Edmundo Rodrigues. Tem muito bom autor nacional que eu li quando era pequeno. Pena que os estrangeiros sempre tiveram mais vez nas editoras.
GB: E você já chegou a trabalhar com algum deles? ou a conhece-los?
ER: Conheci pessoalmente o Rodolfo Zalla, o Eugênio Colonesse - outro que sempre fui fã, inclusive da Mirza dele. Mozart tive contato só por cartas e telefonemas. O Lucchetti também, e inclusive, fiz recentemente ilustrações para um livro de contos que ele irá lançar em breve.
GB: O Luchetti é uma lenda viva multimídia, não é mesmo?
ER: Isso mesmo. Acompanho o trabalho dele há um bom tempo, e é uma pena que não pude ler tudo. Também vi todos os filmes dele.
GB: Mas você ainda prefere trabalhar com seus próprios roteiros. correto?
ER: Sim.
GB: E como é seu processo de trabalho. Você começa com um argumento, e desenvolve um roteiro por escrito, e depois passa para os esboços ou você faz tudo em ordem diferente?
ER: A ordem é essa mesmo. Algumas vezes é que passo a idéia da cabeça diretamente para o esboço.
GB: mas você não vive exclusivamente de quadrinhos... qual sua outra atividade?
ER: Sou funcionário público.
GB: Como Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade.
ER: É. Afinal, é preciso garantir o sustento da família.
GB: O tempo passa e parece que ninguém no Brasil possa viver exclusivamente de cultura
ER: Se não for para ser cantor, não sobrevive. Afinal, até as pessoas mais pobres fazem questão de se sacrificar para comprar um aparelho de som para ouvir música, mas não se sacrificam ou querem gastar um centavo com leitura.
GB: Entendo, e quando exatamente você faz os quadrinhos?
ER: Nas horas vagas, sábados, domingos e feriados.
GB: E a Velta tem ganhado cada vez mais destaque ultimamente. isso é um sinal de que as coisas tem melhorado?
ER: Infelizmente, não, pois ainda são raríssimas as editoras que publicam material nacional. E são poucos também os blogueiros, os donos de páginas na internet, e mesmo editores de fanzines a divulgar o material brasileiro.
GB: Sim, eu concordo, a atitude de colonizados se estende a quase todas as áreas. Mas você vê algo de bom nos quadrinhos gringos atuais?
ER: Isso mesmo. Acho incrível como as pessoas não conseguem se libertar dessa lavagem cerebral.
GB: Eu por exemplo, gosto do Bone
ER: Eu não leio quadrinhos gringos atuais. Para mim, gastar dinheiro com eles é o mesmo que dar munição para nos afundarem mais. Não tenho tendência ao suicídio.
GB: Absolutamente nada?
ER: Nada. Não estou vendo nada que preste sair. Já comprei coisas mais antigas. As novas, não me atraem em nada. Muito menos esses filmes mirabolantes de heróis que estão saindo hoje.
GB: Sim, que trazem consigo lancheiras, camisetas, bonecos ¿
ER: Pois é. Porque não se faz isso com personagens brasileiros. Assim, o nosso dinheiro ficaria aqui, no nosso país. Claro que não compro só porque é brasileiro. Compro se for Brasileiro e for BOM.
GB: E quanto aos artistas brasileiros atuais e aos quadrinhos atuais brasileiros, você os acompanha?
ER: Compro o que está saindo pela Opera Graphica, pois ainda é a única a publicar material nacional.
GB: Bom, a via lettera também tem se esforçado.... mas o colonnese também fez elogios rasgados à Opera Graphica. Disse que nunca viu seu material tão bem publicado
ER: O material da Via Lettera não chega fácil por aqui. Inclusive, eu havia conversado com o Colonesse para fazermos um encontro entre Velta e Mirza, mas ele disse que estava sem tempo de desenhar este ano.
GB: Sim, ele trabalha mais do que muitos jovens de 20 anos, além das aulas que ainda dá. Mas não se preocupe, eu vou passar na casa dele e implorar pra ele fazer isso
ER: Sinceramente, eu acho que falta pique a muito jovem de 20. Eu vejo o Lucchetti doido para escrever e publicar, o Colonesse nessa correria. Enfim. Olha só que bons exemplos.
GB: E como é o mercado no nordeste? Aqui em são Paulo existe esse mercado que de longe parece pulsante, mas que na verdade são sempre as mesmas pessoas que compram as revistas que ficam cada dia mais caras¿
ER: Do mesmo jeito que no resto do Brasil. Aqui, quem publica são os mesmos: Henrique Magalhães e eu. Só que somos boicotados o tempo inteiro. Aqui, o distribuidor é proibido de receber nossas publicações para colocar nas bancas.
GB: O Deodato há muito que só se dedica ao estúdio dele e as HQs americanas, certo?
ER: Era a meta dele. A minha é outra.
GB: E qual é a sua exatamente?
ER: Publicar, escrever e desenhar meus personagens. Fazer isso com personagens gringos, só se for pelo dinheiro.
GB: E isso é algo que você parou de fazer? ou foi o mercado dos caras que se fechou um pouco? Afinal eles vivem uma das maiores crises da história quadrinistica
ER: O mercado de lá não é o mesmo de antes. Eu também fiquei menos paciente em lidar com os editores. Se o trabalho que aparecer não apresentar muitos problemas, eu faço. se for problemático, desisto. Mas, seja como for, não anda aparecendo muita coisa.
GB: E os projetos para um futuro mais próximo quais são?
ER: Estou desenhando um novo álbum da Velta, contendo algumas mudanças na personagem, além de apresentar aos leitores o resultado do concurso para escolha de um sobrenome para ela, lançado na internet há alguns meses. Também tenho um roteiro para um álbum com a Nova, mas que deverá sair depois do de Velta.
GB: Seus outros personagens, Itabira e Cangaceiro, ficaram meio que de lado?
ER: Não. Itabira apareceu na "30 anos de Velta", em duas histórias. O Cangaceiro, sim, parou no nº 1.
GB: E você ainda cria personagens novos?
ER: Não. Prefiro permanecer trabalhando nos que já existem.
GB: Não sei se você tem notado, mas quase todos os novos artistas nacionais tem aquele estilo mangá. Isso é bom ou mal? ou nenhum dos dois?
ER: Fica difícil responder, pois não entendo nada de mangá. Meus filhos lêem mangá. Mas, eu vou investir na área, através de outros artistas, está em andamento o projeto "Velta mangá", para atender ao público que aprecia o gênero.
GB: Sim eu vi em seu blig
GB: "Pergunta clichê", risos, qual seria o conselho que você daria pra todos os artistas que estão começando agora?
ER: Que tenham muita paciência e perseverança. E se é isso que desejam da vida, não desistam por nada. Mas lembrem-se de ter um emprego paralelo, pois de quadrinhos, ninguém sobrevive aqui no Brasil.
GB: Tirando o Maurício de Souza, risos¿ E, segundo ouvi dizer, o Mutarelli
ER: Maurício é uma agulha no palheiro. Sobre o Mutarelli, para mim isso é novidade.
GB: Ouvi dizer que ele está com um contrato com a DEVIR que lhe paga para lançar um álbum por ano
ER: Não deve ser muita coi$a, a despeito do que sei do nosso mercado. Eu penso que deve ser algum boato exagerado. Mas... quem poderia responder isso com certeza, seria o próprio Mutarelli...
GB: sim vou tentar conversar com ele¿ Já que mencionamos o Maurício, cada um no meio dos quadrinhos tem uma imagem diferente dele, que vai desde o MAIOR até muita gente que não o suporta. Qual é sua visão?
ER: Como não o conheço pessoalmente, não tenho como me definir a respeito. Já ouvi gente contado muitas histórias sobre ele, mas não tenho como constatar a veracidade. O fato é que ele deu sorte e venceu com seus quadrinhos no Brasil. Uma raridade.
GB: você conhece o trabalho da editora nona arte?
ER: Conheço algumas coisas, e tenho contato com o André Diniz.
GB: e você planeja publicar algo on-line?
ER: Sou um zero a esquerda em termos de manejar com a internet. E pagar para fazer isso não vale a pena. Se alguém se dispuser a fazer isso, posso fornecer o material.
GB: humm, isso muito me interessa, eu teria muito interesse em digitalizar algumas coisas suas e "postar" em meu blog
ER: No que eu puder ajudar, pode contar comigo.
GB: Bom, Emir, vamos encerrando por aqui, Muito obrigado pela entrevista
ER: Beleza. Um abraço, extensivo aos leitores do seu blog.

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 6:56 PM

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[Domingo, Janeiro 23, 2005]

Mais uma vez, o Gibiblog é indicado como destaque em um site. Para aqueles que se perguntam porque o blog deixou de ser atualizado de forma constante, a resposta será dada em um post muito em breve. Como sempre, agradeço a todos que continuam a visitar. A nona arte brasileira só resiste por causa de gente como a gente...



por CAIO CESAR CHRISTIANO * 4:05 PM

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