"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" Pablo Picasso

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O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil





[Quinta-feira, Setembro 08, 2005]

Após mais um longo hiato, o Gibiblog volta a ser atualizado com uma entrevista com um dos mais promissores roteiristas da nova safra do quadrinho brasileiro. Indicado ao HQ MIX 2005 como melhor roteirista, Jean Canesqui é um dos cérebros por trás da revista KAOS, um dos mais corajosos empreendimentos quadrinísticos tupiniquins dos ultimos dez anos. A entrevista em questão foi feita ja há alguns meses, e estava prevista para ser publicada antes do lançamento de KAOS 2, mas problemas alheios a meu controle (nao ter um computador proprio deixa tudo mais difícil) fizeram com que ela só fosse agora publicada. Espero atualizar novamente em breve, mas desde ja deixo o meu muito obrigado a todos os leitores que visitam o Gibiblog e um obrigado duplo aos que deixam comentarios e escrevem emails.


GibiBlog : Fala Jean!
Jean Canesqui: Olá, Caio.
GB : Bom... finalmente consigo conversar com você... muito prazer em conhecê-lo, ainda que impessoalmente.
JC: O prazer é meu!
GB : Deixa eu pegar umas informações básicas. Nome completo?
JC: Jean Carlo Mogge Canesqui
GB : Peso e altura?
JC: Grande, imenso e colossal! Aí entra aquela musiquinha do gigante do pé de feijão do desenho do mickey...
GB : (risos) Autores preferidos (os primeiros que vêm a cabeca)?
JC: De HQ ou geral?
GB : Os primeiros. Qualquer área¿
JC: Alan Moore, os irmãos Hernandes, Morisson, Al Capp, Chaykin... Bradbury, Poe, Lovecraft, Lima Barreto, Alcantara Machado, Kafka, Euclides da Cunha, Borges, Jack london, Dóris fleury...
GB : Onde você trabalha, fora os quadrinhos?
JC: Sou peão, véio. Trampo de arrecadador no pedágio de uma grande concessionária de rodovias, fico pegando grana na cabine da mimada classe média, estrato social que é o coração das trevas desse país. Forno neles!
GB : Como estão sendo as coisas com a Kaos 2? Eu li a número 1, quando estava ainda no Brasil, e gostei em geral.
JC: Nem sei, acho que estão bem. A 2 ficou melhor que a 1...
GB : Por que melhor que a 1?
JC: Porque tanto o texto como o desenho, ambos passaram por um amadurecimento. Nós observamos as cagadas da primeira edição e tentamos corrigir. Foi um salto em evolução. Pensamos a Kaos como produto e a tratamos assim.
GB : Ótimo... você poderia falar de forma mais precisa? Em suas histórias de Kaos 1, por exemplo, há algo que você se arrependa do resultado?
JC: Arrependimento não é o termo que eu usaria.
GB : Não está totalmente satisfeito, talvez¿
JC: A Homem que tudo vê 01 estava gorda quanto à ação. Excesso de quadrinhos e informação, eu e o Cabral vamos rever a história e refazê-la futuramente. Eu comparo as duas. A segunda por mérito do Cabral está mais enxutinha e vai direto a questão.
GB : Você diz que vocês tratam a HQ como produto. Você acha que algo pode ser ao mesmo tempo arte e produto, o que quero dizer é: ao dizer que você trata a revista como produto você está dizendo que está tentando dar ao público exatamente o que ele quer?
JC: Sim, como cinema. Veja: Primeiro, essa coisa de aura artística, sublime e etc, não existe muito na vida real. Não existe pureza artística. Eu tenho muita desconfiança das pessoas que se dizem artista e suspiram.
GB : Eu tenho é medo destes, risos
JC: Esse universo de consumo artístico em salões, galerias e centros especializados é apenas uma variação em menor escala do que acontece num filme, num gibi, num CD que precisa ser vendido. Ela precisa se difundir. Ai entra em debate um defeito de nossa cultura. Para nós um processo cultural termina com a realização do produto apenas, sem a nescessidade que chegue a sociedade. Eu cito como o exemplo o nascimento do cinema. No mundo é uma exibição, no Brasil é a filmagem da baia da Guanabara por um navio que vem chegando, uma fita que nunca foi exibida. Uma obra de arte só existe se for vista pelas pessoas. Precisa levar muito em conta objetivos dos realizadores. Eu sou mais a modalidade contrabandista. Você produz entretenimento legal, porém com elementos estéticos novos e ideias vírus.
GB : Mas mesmo assim, você mudaria o rumo de suas historias, como fazem os autores de novelas para atrair mais publico?
JC: Claro. Aliás, um dos meus sonhos é ser escritor de novela¿ Porém, temos um problema quanto a isso. As emissoras têm como saber exatamente o que os consumidores querem. Com quadrinhos isso fica díficil.
GB : Sim... e fica difícil com várias outras mídias também. Se você não tiver o capital necessário... Outra pergunta, eu sempre que vejo uma obra, fico tentando buscar as raízes inspiradoras dos criadores sejam nas músicas, filmes e HQs. No caso da Kaos eu imaginei que ela deve ser produzida por caras que amam o selo Vertigo estou certo quanto a isso?
JC: E o grande prêmio vai para... Isso mesmo! Kaos! bebe da Vertigo. A Vertigo nada mais é do que uma tentativa da DC de produzir material diferente dos super-heróis, Ela abarca todos os gêneros com uma pitada de fantástico, o que não difere muito dos Bonelli e o que vinha sendo feito nos EUA nos anos 50
GB : Mas há algo que a diferencia ou você acha que qualquer uma das histórias da Kaos poderiam ser publicadas com o selo vertigo
JC: Com umas modificações, sim. Mas vamos deixar uma coisa clara, nosso trampo merece ainda mais burilamento. Não chegamos ao nosso ápice.
GB : Bom... É verdade o que você diz sobre a Vertigo ser um selo que publica não-super-heróis, mas, eu identifico uma certa similaridade nas coisas Vertigo, como se todos eles meio que bebessem nos primeiros números de Hellblazer e Swamp Thing do Alan Moore, mas talvez seja apenas eu indo longe demais nessa minha tentativa de identificação.
JC: Nós somos a geração que amadureceu lendo Vertigo, em especial esses títulos. A Vertigo supriu a falta, na época, de quadrinhos europeus e mesmo brasileiros que marcava e marca ainda o mercado.
GB : Sim... Sou dessa geração também. Daqueles que pulou de emoção ao ver o Grant Morrison aparecer como personagem na DC 2000.
JC: Sim. Mas não era uma dimensão nova, era nova para aquela editora. A abril. Isso é contrabandismo intelectual. Mas a vertigo é muito deprê, eu acho. Sou mais os fantásticos do Bonelli.
GB : Hmmm... mas ainda assim com uma cara de DC, pois um universo diferente na marvel seria muito diferente
JC: sim. por isso o contrabandismo funciona.
GB : Você bebe da vertigo e, agora me dizes também do Bonelli... o que exatamente do Bonelli, nao fui capaz de identificar essa influência, talvez porque as historias tinham poucas páginas, contra as centenas que um Bonelli costuma ter
JC: Mágico Vento, Dylan Dog, Ken Parker, que não é Bonelli, mas é fumetti. Bebo da Vertigo, dos Bonelli, do Howard Chaykin, dos irmãos Hernandes...
GB : Infelizmente nao li Mágico Vento ainda... não posso comentar
JC: Eu considero Mágico Vento com Marvel max a melhor coisa nas bancas. Eu leio tudo. Sou um cara eclético.

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 4:11 PM

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Comments:

PARTE 2

GB : Bom... o GibiBlog é um blog sobre o quadrinho nacional. Você tem alguma influência dos brasileiros?
JC: Animal, Chiclete com Banana, pornográfico, El Vibora, manda aí que eu como. hehe. Gian Danton que fez uns quadrinhos de terror fantásticos nos anos 90
GB : Sim.. conheço
JC: Flavio Colin
GB : Saudoso
JC: Luiz Gustavo, que fazia uns quadrinhos noir na chiclete.
GB : E na Circo tanbém se nao me engano.
JC: Chiclete com banana e cia como formação política. Terror em geral. Shimamoto, Cortez, a galera toda das antigas. Cara sou um rato de sebo. Cresci lendo quadrinhos. leio 3 gibis em média por dia. Tudo me influencia: Watson Portela, Mozart Couto. Sugo de todo mundo.
GB : A Kaos é nacional, no sentido que é feita no Brasil por brasileiros. Mas você diria que ela é uma revista de quadrinhos brasileiros no sentido de que estas histórias nao poderiam ser contadas jamais se não por brasileiros?
JC: Não. nunca quisemos isso. Não fazemos quadrinhos para o Brasil, fazemos para o mundo.
GB : Vocês pensam em uma revista "universal" deixe eu colocar dessa maneira ?
JC: Sim, que qualquer cretino com cultura ocidental possa ler e não ficar boiando. Mas isso qualquer boa obra consegue. A tendência contrária é marca de uma geração que cresceu ou foi formada nos 80 e 70.
GB : O mundo inteiro ou mais especificamente a New England?
JC: Ocidentais ou com cultura capitalista ocidental. Para serrealmente uma universal perfeita eu tinha que pegar umas tribos do cu do mundo, ai não dá.
GB : Sim... mas as boas obras muitas vezes tem essa propriedade específica de serem lidas de uma forma toda especial por nativos, e ainda ser entendida por não nativos, você concorda com isso?
JC: Não é toda obra. São as que conseguem se prender minimalmente a elementos primários.
GB : O que eu estava querendo insinuar é: vocês visam uma futura publicação no mercado americano já que esse é um nicho existente e perfeitamente possível hoje em dia?
JC: Lá e a Europa. Sou mais por invadir a Europa. O Mercado americano está abarrotado. A Europa é mais aberta e precisa de gente nova.
GB : Mesmo em um formato que não é o tradicional europeu... Revistas de contos ao invés de álbuns?
JC: As séries da Kaos irão evoluir para álbuns antológicos e depois de contos grandes. Sempre pensamos em sobrevida e adaptção para os quadrinhos.
GB : Hmm, interessante. Vocês fizeram qualquer tipo de pesquisa de mercado antes da Kaos?
JC: De sair pesquisando vendo que as pessoas queriam? Não. Mas sabíamos que as revistas da Vertigo não vendiam mais de 3 ou 4 mil exemplares em bons tempos..
GB : Voltando à questão do produto: qual o público que você tem em mente que vai ler a Kaos? Apesar de eu saber que você quer atingir o maior número de pessoas possível, você sabe que muita gente jamais lerá quadrinhos, então, qual é seu "leitor padrão", se é que podemos os chamar assim?
JC: Geralmente, classe média com formação superior formal ou autodidata, o que eu considero arquitetos da desgraça que se tornou esse país. O povão é excluído das leituras. Não lê por falta de hábito, por falta de recompensas que a leitura daria e por não gastar dinheiro.
GB : Poderia dizer que vocês estariam escrevendo para os seus "iguais" então...?
JC: Estou escrevendo para uma minoria que deviia ser maioria. Existe uma frase de Sílvio santos, que ele nunca vai admitir em público que disse: "O brasileiro tem idade mental de 12 anos" ou algo assim. De qualquer forma eu concordo com ele. Hehe. A idade mental é dada por falta de projetos nacionais coletivos que reverberam em projetos de vida pessoal. As pessoas não têm projetos pessoais a longo prazo além de mera sobrevivência, logo leitura que é prazer e elaborar futuros não encontra lugar. Se ocorre estimulações na direção contrária, esses 12 anos saltam para 30 em pouco tempo. Vejo as ações do MST como exemplo disso.

GB : essa frase me faz vir uma coisa à cabeca, você acha que o público de quadrinhos é gente com uma "adolescência prolongada"? Dá pra contar nos dedos os quadrinhos com temas pós-adolescentes... Você concorda com isso?
JC: Os quadrinhos sofrem de uma imaturidade em seus temas muitas vezes graças a própria indústria. Se o mercado americano largasse um pouco a cultura de super-heróis, talvez seu repertótio fosse melhor. Mas também temos que apontar que boa parte da cultura de massa hoje é meio adolescente vide filmes juvenis como Senhor do Anéis e o Homem-Aranha. Toda a trilogia do senhor dos anéis não vale 15 minutos de táxi driver.
GB : Concordo contigo, mas, se eles também tratam os quadrinhos como produto por que largariam a cultura superheroística?
JC: Haha. Vejamos: Ai vai a diferença entre produto cultural e sopa em lata. Se eu resolvi fazer quadrinhos foi para dizer alguma coisa que prestasse ou fazer algo com repercussão. O Miller, Eisner e muita gente fazem quadrinhos divertidos com algo a dizer. Um produtor artístico tem responsabilidade sobre seu produto. A indústria americana é muito conservadora. Eu pergunto, aliás, não podia ser um quadrinho sem elementos de super-herói? Tem que inovar, tentar coisas diferentes, ou morre. Eu quero fazer diversão, mas quero cosncientimente passar minha visão de mundo. E tem que levar em conta que leitor de quadrinhos é conservador pacas.
GB : Como você se sente estando na linha de frente deste projeto... É algo como o momento mágico que você sempre soube que faria ou quando você viu ja estava dentro?
JC: Isso vou ficar devendo. Ainda estou atravessando o rio e ainda não me distanciei para dizer o que sinto com exatidão. Pô, eu tô fazendo algo que sempre quis fazer... Um GIBI! Mas só vou tremer de fato depois do número 3 voltar da distribuição.
GB : O que é, na sua opinião, ser bem-sucedido nos quadrinhos? Deixa eu te dar umas opções: virar o Maurício de Souza, que é o homem que mais fez dinheiro com quadrinhos no Brasil, mas que é escrachado pela maioria dos nerds fãs de quadrinhos (eu me excluo deles) ou virar um cara como o Colin que morreu e que nunca realmente viveu só de quadrinhos, mas que é lenda entre os aficionados?
JC: No Brasil? Viver de quadrinhos. Pagar as contas com GIBI. Isso seria o máximo dos máximos. Outra seria olhar a minha produção de modo distanciado e me divertir com ela. O sonho é ser Maurício de souza e Colin ao mesmo tempo. Quadrinho não é só arte,quadrinho não é só produto. Quadrinho tem que ser bom e tem que ser vendido. É preciso estabelecer uma industria madura, sem estrelas, com amplo espaço para gêneros. Esquecer individualidades e começar a trabalhar no coletivo. Gostaria de ter grana p/ cacete como o Maurício, mas gostaria de poder vender uma porrada de quadrinhos diferentes, incluindo os dele.
GB : Mas você acredita que essa indústria madura começa ainda nesta geração?
JC: Não. A minha geração ainda sofre de síndrome de artista de galeria e de grande escritor. Muita gente quer se chamado de artista, quer fazer obras autorais, herméticas e diz que vender não é importante. Pôrra! Como não é importante!?
GB : Hummm, opa, pegou pesado, quer citar nomes?
JC: Digamos que encerrei minha colaboração regular no Front tendo esses como um dos motivos, juntamente com uma certa derrapada na questão ética. Não tenho saco para bla-blá de revolucionário de centro acadêmico ou golpes baixos que eles chamam de atitudes políticas democráticas. Parece que as pessoas esqueceram de que saber contar uma boa história não é demérito. E o mesmo vale para cumprir certos acordos quando votados. O terceiro grau realmente me parece uma bela fabrica de incompetência, burrice e currupção.
GB : Ótimo, recado entendido. Você tem algum problema com distribuição? O Emir Ribeiro me disse que ele é praticamente proibido de colocar suas revistas em banca.
JC: Censura??? perseguição? Conosco ainda não, hehe. Não houve nenhum problema, a Manticora fez como qualquer outra publicação de banca.
GB : Não censura no sentido de pornografia ou algo assim, mas sim que as grandes distribuidoras nao deixam os jornaleiros colocarem as coisas que não vem delas nas bancas. Aliás, você esta numa grande distribuidora? Vocês tem uma Chinaglia ou uma Dinap por trás?
JC: A nossa é a Chinaglia.
GB : Humm, suponho que desse problema vocês nao sofrerão então...
JC: Talvez existam cotas para distribuidoras aceitarem a distribuição, mas também existem empresas que resolvem esses problemas. Não posso falar porque não sei. Só sei que nossa relação com a Chinaglia está ok.
GB : Você desenha?
JC: Nem a porra de uma linha reta, véio.
GB : E como passa as idéias para o desenhista? Faz esboços ou algo assim, ou apenas descrições?
JC: Necas de esboços. roteiro mesmo. Varia de desenhista para desenhista. Com Castelli, roteiro cinematográfico. Com Cabral, escaleta com detalhes, ele faz o layout depois, ou antes quando a idéia é dele, ai eu meto texto. Com a Júlia vai em prosa, descrição e texto. Gosto de dar liberdade para a galera. Gosto de conversar com os desenhistas discutir... a única que eu não falei muito foi a Júlia devido a incompatilidades de agenda, mas menina é foda...
GB : Eu li sua entrevista com ela no Melhores do Mundo, muito interessante. Outra pergunta, em que geração do quadrinho nacional você se situaria, e quem é o grande ícone desta geração?
JC: Como assim geração? Como produtor? Sou das baratas depois do holocausto de Collor, FHC e cia.
GB : Hmm. Bom¿ Eu enxergo o Brasil como várias levas diferentes de artistas. Houve a geração do Jayme Cortez. Há a do Larte. Ou você nao entende desta forma?
JC: Um porrilhão de gente diferente produzindo coisas diferentes.
GB : Sim... mas para fins históricos e didádicos ainda assim serão todos colocados numa so geração¿
JC: Entendo. Porém a minha não dá para classificar assim, pode colocar com fragmentada. A Kaos veio depois dos álbuns, depois da leva dos desenhistas imigrantes pros EUA, depois do mangá. Não existe uma grande figura em torno da qual podemos nos reunir e sacrificar crianças.
GB : Depois do mangá, ou no meio do mangá?
JC: Depois do boom mangá, agora ele estabilizou, mas a escola da Kaos! não inclui muito mangá... Quer dizer eu acho a Holy Avengers um dos melhores quadrinhos de nossa história, li Lobo Solitário e todos os fudidões lançados aqui, mas não fazemos parte do frisson.
GB : Mesmo sabendo que isso vende bem?
JC: Aliás, a Kaos! não procurou publicar manga porque:
01, os donos do projeto não fazem manga... nada contra mas nosso estilo é outro.
02, por vender bem sozinho. Porque eu vou competir com Cassaro?
Existe um mangá nacional que se eu tivesse publicava na boa. Saiu uma mini mas foi interrompida... Material sofisticado pacas. Oiran.
GB : Entendo. E a estratégia de marketing de vocês... como é?
JC: Não vou dizer porque é meu e vi primeiro, hehe.
GB : Risos
JC: Seguinte, não temos grana. logo optamos por uma divulgação horizontal. Fomos en tudo quanto era site, fórum, orkut, lista e anunciamos a bagaça. Fizemos a Kaos ser comentada mesmo sem saber que merda ela era. e deu certo. O problema não é você ser o gênio da raça ou não, o problema é que todo mundo fique se perguntando se você é ou não.

GB : Tentaram algo como entrevista no Jô?

JC: Falta cacife ainda para Jô e afins. Não somos engraçados e fáceis, somos uns xaropes, nosso trabalho é meio estranho, pop malvado, por esse ângulo não batemos com o programa. E segundo a gente ainda não é sucesso de vendas, como milhões e etc.
GB : Hmm... bom, ja vi tanta gente no Jô que nao era nada disso também, risos.
JC:"Ah! mas era outro esquema. Quadrinho que não é engraçado? Prá que?"
GB : E você acompanha os artigos do André da nona arte?
JC: Faz tempo que eu li. Vi que a Kaos causou polêmica no blog. Quando eu descobri já era matéria fria. O André é um sujeito muito sensato. As pessoas deviam ouvi-lo. Eu ouvi antes de fazer a Kaos! E a Kaos não é só eu. É eu, o Castelli, o Sam, o Cabral, os colaboradores, Manticora e as minas que ficam se beijando na padoca que fazemos reuniões.
GB : Onde fica essa padaria?
JC:Rua da consolação com Jaú.
GB : Quem mais você ouviu?
JC: Ouvi assim, li seus pensamentos. Todo depoimento de quadrinistas que encontrei. o professor waldomiro passou umas idéias legais sobre o mercado... Também fiz questão de deixar de ouvir algumas pessoas...hehe.
GB : Vocês tiraram dinheiro do proprio bolso? O André diz que acredita nisso como parte do processo¿
JC: Sim. Gastamos grana com transporte, impressão, eletricidade, hopedagem em site. É empreendimento, a Manticora cobre os custos da revista...
GB : Você acredita num mercado de roteiristas brasileiros fora do Brasil?
JC: Só se dominarem a lingua e a cultura... Ou entregarem a história já desenhanda. Por isso eu vejo a Europa como alvo, os EUA é mais difícil.

SITE DA REVISTA: www.revistakaos.com.br

por CAIO CESAR CHRISTIANO * 4:11 PM

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