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[Quarta-feira, Maio 31, 2006]
Meu amigo Marko "o cara" Ajdaric me enviou as informações sobre esse novo evento e eu espero que todos os que estejam lá por perto possam ir. Ele bem que poderia ter esperado mais duas semanas para que eu também pudesse estar lá na inauguração,, mas, se tudo der certo, estarei lá no próximo. Deixo claro aqui, no entanto, que não concordo com o termo "bimensal". Acho que o Marko deveria usar quinzenal porque causa muito menos confusão... Mas isso não tem a menor importância.
Neste sábado, dia 3 de junho, na Devir, acontece a 1ª edição do ENQUADRANDO, evento bimensal em São Paulo (sempre aos sábados) promovido por Marko Ajdaric que tem por objetivos
1) Estreitar os laços entre os profissionais da Nona Arte, neste momento tão promissor para os quadrinhos, no Brasil
2) Apresentar aos aficcionados de quadrinhos nichos nos quais se encontram obras de / sobre HQs, ilustração e humor de traço para além das normalmente encontradas em comic-shops (pretende-se expor em destaque algumas publicações que compõem o acervo de cada um dos locais).
PROGRAMA:
14:00 horas:exibição do DVD de Patoruzito, o filme mais vista na história da Argentina, baseada na HQ de Dante Quinterno (confira artigo sobre a primeira apresentação no Brasil) e que está estreando na grade do Cartoon Network, na América do Sul.
15:30 início das apresentações de profissionais que estão com trabalhos em andamento no período, ou com lançamentos recentes, a idéia é que os convidados falem para outros profissionais e aficcionados sobre o que estão aprendendo com seus trabalhos atuais.
Pela ordem:
Carlos Costa / HQ Maniacs, falando sobre a edição brasileira de Invincible e Walking Dead, de Robert Kirkman
Orlando Pedroso, da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil), fazendo um balanço do Ilustra Brasil 3, e sobre o HQ Mix
Representante da Devir, falando sobre Fábulas (de Bill Willingham, Mark Buckingham e Steve Leialoha)
Ruy Jobim Neto, falando sobre a ida de Jarbas ao Timor-Leste
Franco de Rosa, falando sobre a edição do Fantasma pela Opera Graphica
Gonçalo Junior, falando sobre seus livros recentes e sobre 'O Messias', álbum realizado em conjunto com Flávio Luiz
Fausto, falando sobre seu livro auto-editado Traço Extra
Paulo Stocker, falando sobre seu novo livro de cartuns, Stockadas
Renato Torelli, da Lumus, falando sobre a experiência em editar os manhwas Priest e Planet Blood
Odair Braz Jr, da Pixel, falando sobre as iniciativas deste novo selo brasileiro
Marko Ajdaric, que vai apresentar 3 produções do 'interior' do Brasil.
17:30 Mesa-redonda com profissionais que estão produzindo para o mercado externo: Julia Bax, Renato Guedes, Sam Hart e Greg Tocchini.
19:00 Encontro informal em um boteco próximo.
A Devir fica no Cambuci, na Rua Teodureto Souto, 642 em São Paulo. A Teodureto Souto é uma paralela da Avenida Lins de Vasconcelos, na altura do número 750. (confira o mapa http://www.devir.com.br/images/mapa_devirp.jpg)
Nota para a imprensa: caso precise de imagem em tamanho ampliado da arte que foi executada por Marcos Gratão, clique aqui.
Marko Ajdaric
Neorama dos Quadrinhos
A mais ampla newsletter da Nona Arte do Mundo
http://www.neorama.com.br
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:34 PM
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[Segunda-feira, Maio 29, 2006]
A questão do porquê
Se esta não é a primeira vez que você visita o Gibiblog, há grandes chances de que você seja um leitor de história em quadrinhos. Se é um leitor de quadrinhos que já veio ao Gibiblog mais de uma vez, creio que é provável que você se interesse minimamente pelos quadrinhos nacionais. Se você é um leitor de histórias em quadrinhos que só lê histórias em quadrinhos nacionais e rejeita tudo o que não for verde amarelo como se fossem meros dejetos, eu devo te aconselhar a repensar um pouco sua atitude não só perante aos quadrinhos como perante a própria vida. Será que existe alguém que só come comida nacional? Alguém que não pode degustar nada que não seja nativo do Brasil e que não coma receitas que venham do exterior. Imagine ser privado de pizza, macarrão, sushi, e até mesmo do nosso cafezinho... Eu não conheço ninguém assim. Mas eu tenho lido, internet afora, que muita gente quer boicotar os quadrinhos estrangeiros, e só posso dizer que seria uma grande pena.
Para mim, a essência do Brasil começa quando poucos dias depois da chegada das caravelas, os índios fazem música e os portugueses, junto a eles, também dançam. Esta é uma passagem da carta de Cminha. Foi naquele dia que começou a se criar isso que chamamos de cultura brasileira. Me vem à mente o conceito da sinergia para definir o que começou a acontecer naquele dia. A cultura brasileira não é o simples resultado dos componentes que a formam, ela ultrapassa tudo isso, mas, ainda assim, ela necessita dos seus componentes originais.
Isso tudo para dizer-te que se você espera que o Gibiblog apóie qualquer campanha anti-quadrinhos de qualquer nacionalidade, aconselho-te a retirar o eqüino da perturbação pluviométrica.
Mas digamos que você seja uma pessoa sensata que leia quadrinhos e não "quadrinhos americanos" ou "quadrinhos brasileiros", simplesmente quadrinhos. Se você for uma pessoa assim, provavelmente já se deparou por esses caminhos virtuais com inúmeras discussões acerca do quadrinho brasileiro, porque ele não funciona, o que há de errado ou que há de certo. Eu sempre vejo este tipo de coisa, mas não costumo entrar nessas discussões porque elas costumam ser povoadas de ¿extremistas¿, que não costumam entender que pode haver pessoas que possuem uma opinião diversa da deles.
O que vou fazer aqui não é me estender e minuciosamente analisar todos os aspectos do quadrinho nacional (que na verdade é o que eu gostaria de fazer, mas tenho 134 provas da faculdade para corrigir, se possível eu futuramente deixarei este texto mais completo). O que farei é simplesmente é listar alguns dos argumentos (e alguns lugares-comuns) que sempre aparecem neste tipo de discussão e dizer porquê concordo, ou não com eles. Vamos lá.
Os super-heróis não funcionam no Brasil porque não somos patrióticos.
Concordo plenamente que os super-heróis não costumam funcionar no Brasil, mas creio que o motivo esteja longe de ser este. Para falar a verdade, na minha opinião o patriotismo brasileiro só se compara ao americano. Se você já teve a oportunidade de estar numa roda em que cada um dos participantes seja de uma nacionalidade diferente, rapidamente vai perceber que geralmente é o brasileiro que começa conversas do tipo "no Brasil é muito melhor" ou ainda "no Brasil é muito pior". O que acontece é que nós somos uns megalomaníacos, e quando não conseguimos ser os melhores em alguma coisa, ficamos obcecados em sermos os piores. Mas sempre queremos aparecer, no melhor estilo "falem mal, mas falem de mim". Nós temos uma atitude estranhíssima em relação a outros países, só aceitamos o que vem daquele que é o dominante, e ignoramos, e até mesmo desprezamos, os outros. Preferimos saber de tudo o que vem dos EUA e simplesmente desprezar o que vem da Argentina. É uma pena porque o quadrinho argentino é simplesmente sensacional, Oesterheld já fazia nos anos sessenta o que a Vertigo só começou a fazer nos oitenta. Mas nós não queremos saber disso, preferimos acreditar que nós não somos parte da América Latina, apenas da América. Lógico que não é só com quadrinhos, é com tudo.
O mais engraçado de tudo pra mim é que muita gente perde tempo discutindo o que seria um super-herói 100% nacional, sem se dar conta que a proposição, em si, já é ilógica, já que como o próprio conceito de ¿super-herói¿ não é nacional, a tarefa já começa sendo impossível. Para mim isso parece mais com um ¿koan¿ zen do que com um tema a ser debatido. E eu tenho certeza que mesmo como "koan" tentar ouvir o som das palmas d uma mão só é muito mais eficiente.
Recentemente, encontrei uma matéria no site omelete em que o Alexandre Nagado diz que o pesquisador brasileiro Moacy Cirne tem um "raciocínio preconceituoso, controverso e radical", simplesmente porque ele disse que nenhum super-herói pode ser considerado totalmente nacional. Leiam bem o que estou escrevendo aqui: não tenho absolutamente nada contra o Nagado, nem o conheço pessoalmente e até me lembro de comprar as revistas Blue Fighter e Street Fighter em que ele fazia os roteiros lá pelos idos dos 90. Mas, espero realmente que ele tenha se dado ao menos ao trabalho de ler algum dos livros do Cirne antes de escrever uma besteira deste tamanho, o que duvido muito.
Para alguns esse é um dos grandes problemas da internet, pois ela permite que todo mundo dê sua opinião, seja ela embasada ou não. No entanto, isso para mim não é problema nenhum, já que a mesma internet dá a todo mundo o direito de resposta. O mais importante é que quem lê tire suas próprias conclusões.
Pra falar a verdade, o próprio Cirne, que certa vez já deixou um comentário neste humilde blog, deve ligar muito pouco para isso e seus livros estão aí, ainda que quase todos esgotados, para que qualquer um tire a prova.
Pessoalmente eu não tenho nada contra os quadrinhos de super-heróis, na verdade até leio alguns, mas, para ser sincero, acho a grande maioria deles uma bela porcaria. Não que eles sejam maus em si, apenas que não me sinto mais bem lendo eles, desde que completei meus 17, 18 anos de idade. E quando tentam fazer o que se chama de quadrinhos sugeridos para "mature readers" que se costuma traduzir em português como "quadrinho adulto" (que para mim dá impressão de que se trata de quadrinho erótico, mas como não consigo pensar em nome melhor, uso esse mesmo), aí sim que piora de vez. Neste momento mesmo eu não consigo pensar em nenhum quadrinho adulto de super-herói que seja realmente feito para adultos. Na verdade eles são feitos para que os adolescentes se sintam mais maduros já que na capa está escrito ¿para adultos¿. É uma atitude parecida com a do menino de 14, 15 anos que compra uma garrafa de cachaça porque acha que ficando bêbado vai parecer mais adulto.
Pessoalmente eu prefiro os quadrinhos de super-heróis que ficam dentro do próprio gênero. Para citar quadrinhos brasileiros, para mim a Mulher Estupenda de J J Marreiro é um exemplo perfeito de um quadrinho nacional de super heroi que funciona bem. Dos americanos eu cito as adaptações para quadrinhos das séries animated do Superman, Batman e da Liga da Justiça (que por sua vez já são adaptações dos quadrinhos).
Eu tinha planejado colocar outros pontos ainda neste post, mas aqui já é quase meio dia e preciso corrigir no mínimo umas trinta prova ainda hoje. Continuo no próximo. Até mais.
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 6:55 AM
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