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[Sábado, Julho 29, 2006]
Carta aos amigos fanzineiros.
Olá a todos vocês amigos fanzineiros que lêem o Gibiblog.
Como algum de vocês já sabem, eu tenho residência na França, pelo menos por mais um ano, mas até o final de agosto estarei aqui em São Paulo, Brasil. Como a maioria de vocês provavelmente não sabe eu moro na cidade de Poitiers e lá existe simplesmente a maior fanzinoteca do mundo, a Fanzinotheque de Poitiers. Pois bem, caros fanzineiros, eu me disponho publicamente aqui a levar na minha mala todos os fanzines (ou revistas independentes) que me forem mandados até o dia 27 de agosto aqui em meu endereço brasileiro. A fanzinoteca guarda fanzines do mundo todo e recebe pesquisadores e interessados também do mundo e seria, no meu entender, uma ótima oportunidade da divulgação e, de certa forma, preservação, de seu fanzine. Portanto se você, amigo fanzineiro, estiver interessado basta me escrever um email em caioARROBAmagicovento.com.br (troque a palavra ARROBA pelo símbolo @ na hora de me enviar) que eu te responderei mandando meu endereço postal. Eu agradeceria muitíssimo se vocês me mandassem duas cópias de seus fanzines (uma para eu guardar para mim), mas compreendo que às vezes os custos são altos demais para sair por aí dando cópias de graça. Fazendo uma pequena digressão, como me é peculiar, eu gostaria de dizer a todos vocês que é muito importante saber para QUEM entregar uma cópia de seu fanzine ou revista pois nunca se sabe o que pode ocorrer a partir daí. Por exemplo, no último festival de Angoulême, quando o Moebius passava em algum estande ele saia com sacolas cheias sem gastar um euro, os editores faziam questão de dar-lhe as revistas que consideravam as melhores. No entanto, eu não sou o Moebius (quem me dera) e se você me enviar apenas um exemplar de cada um dos seus fanzines que deseja ter na fanzinoteca eu me comprometo a não guardá-lo para mim e entregá-lo para o responsável lá na fanzinoteca.
Isto posto, tenho de dizer que o artista WILSON VIEIRA, que já foi por nós entrevistado na época do lançamento de Cangaceiros e que têm também uma história publicada aqui por nós (procure FERAS nos links anteriores, você não vai se arrepender, o meu amigo Edd Barbier deve publicá-la em breve em sua revista francesa BdM) acaba de lançar seu novo blog. Pois visitem: http://brasilhq.ilcannocchiale.it e confiram os trabalhos do roteirista brasileiro mais "fummetti" que existe. Além disso o Wilson também está lançando uma revista nova, GRINGO que ele define como "um western, no melhor estilo spaghetti, com desenhos maravilhosos de Aloísio de Castro e capa sensacional de RenatoGuedes".
Por agora é só, volto em breve.
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 1:17 AM
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[Quarta-feira, Julho 19, 2006]
Neste primeiro post do dia, divulgo desde já um evento que só vai acontecer em agosto, o 2o Enquadrando, que pretende ser bimestral. Eu farei o máximo para participar deste evento, até porque não quero perder o Zalla ao vivo, e talvez eu apresente lá um vídeo que fiz em Angoulême.
Falando do Marko "o cara" Ajdarić, que organiza esre evento, ele me mandou uma coisa que eu ainda não tinha percebido, apesar de a minha mãe assinar o Diário do Grande ABC aqui em casa. A edição do último domingo, dia 16, trouxe uma referência ao Gibiblog na seção Blogs interessantes. Além disso o site http://www.sobresites.com/quadrinhos/blogs.htm nos divulga comentando que apresentamos "ótima qualidade". É muito gratificante ser citado por outros, ainda mais quando nos pega de surpresa.
Segue uma prévia de como será o Enquadrando:
No dia 19/08, acontece a segunda edição do Enquadrando - Encontros sobre Quadrinhos em São Paulo - , na Gibiteca Henfil (Centro Cultural São Paulo: Rua Vergueiro, 1000, com rampa direta da estação Vergueiro do metrô), de 15(*) às 18 horas (depois, livre adesão para confraternização em um bar próximo).
Temos já confirmados, para sessões de comunicação de 15 minutos
Rodolfo Zalla, para falar sobre Héctor Germán Oesterheld, numa homenagem aos 50 anos de El Eternauta
Daniel Bueno, para falar sobre a Suda Mery K.! (revista que pretende ser uma ponte da produção sul-americana de quadrinhos) e sobre seus novos livros ilustrados (Cosac e Naify e Companhia das Letrinhas)
Renato Araújo, da Batbase, para falar sobre (e exibir) o fan-film brasileiro do Batman.
Marcio Baraldi, para falar sobre seu novo álbum
Alguém da Conrad Editora, para falar sobre o novo espaço na sede da editora aberto ao público.
Leonardo Pascoal, para falar sobre a nova edição da Quadreca e sobre suas tiras pessoais.
Audalio Dantas, para falar sobre seu livro a respeito da infância de Mauricio de Sousa e sobre a ponte que a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) pode fazer entre HQs e jornalismo.
Fly, da Yamato, para fazer um balanço do Anime Friends e do Fanzine Expo 2006.
Rodrigo Arco e Flexa, para falar sobre sua dissertação de mestrado acerca dos super-heróis publicados pela EBAL
Antonio Eder, para falar sobre Osvaldo (dele e Edgard Guimarães), que saiu no fnal de junho, pela Marca de Fantasia
No evento, será feita uma homenagem aos 5 anos do HQ Maniacs, que serão cumpridos exatamente no dia 19 / 08
Haverá uma mostra, que se extenderá até 10 de setembro, que pretende mostrar o que brasileiros andam publicando lá fora, entre álbuns, cartuns, autopublicações, participações em gibis e coletâneas.
(*)Haverá uma pequena exposição de trailers de filmes de animação sobre quadrinhos em produção ou recém lançados, além de sorteio de gibis e álbuns, a partir das 14:00, para garantir que as pessoas cheguem até as 15 horas.
Fotos do 1º Enquadrando http://www.neorama.com.br/q_enquadrando.htm
O evento é organizado por Marko Ajdarić, editor do Neorama dos Quadrinhos
Crédito: a arte do Enquadrando foi realizada por Marcos Gratão, a partir de idéia nossa.
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:10 AM
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[Segunda-feira, Julho 17, 2006]
Olá a todos.
John Lennon já disse que a vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados em fazer planos, pois eu já estou há quase um mês no Brasil e havia me proposto a já ter feito muitas coisas tanto para o Gibiblog quanto para minha vida pessoal e profissional. Acontece que, ironia do destino, passei mal durante quase um mês inteiro fazendo com que o início de minha estadia em meu país de origem não fosse exatamente da forma que planejei. Mas depois de muitas horas de cama e várias visitas médicas volto a postar. E aproveitando que estou de volta, e que devo ficar por aqui por um mês e meio ainda, vou tentar atualizar bastante o blog sobre quadrinhos brasileiros preferido de todo mundo.
Desde que comecei a ser acometido por minha doença, que, ainda bem, parece estar curada, tenho a intenção de dar um direito de resposta aqui no Gibiblog. Em um post passado eu critiquei a postura de um colega, o Alexandre Nagado com o seguinte comentário:
"Recentemente, encontrei uma matéria no site omelete em que o Alexandre Nagado diz que o pesquisador brasileiro Moacy Cirne tem um "raciocínio preconceituoso, controverso e radical", simplesmente porque ele disse que nenhum super-herói pode ser considerado totalmente nacional. Leiam bem o que estou escrevendo aqui: não tenho absolutamente nada contra o Nagado, nem o conheço pessoalmente e até me lembro de comprar as revistas Blue Fighter e Street Fighter em que ele fazia os roteiros lá pelos idos dos 90. Mas, espero realmente que ele tenha se dado ao menos ao trabalho de ler algum dos livros do Cirne antes de escrever uma besteira deste tamanho, o que duvido muito."
Bom, o Alexandre Nagado deixou a resposta nos meus comentários e para que todos leiam, pois sei que nem todo mundo clica nos comentários reproduzo ipsis literis a resposta:
"Colega, eu li sim material do Moacyr (sic) Cirne. Li, e discordo de alguns pontos. Ok? Vivemos numa época em que, se alguém discorda de algo "aclamado", é por ignorância, por desconhecimento. No fim, essa discussão é uma bela perda de tempo. Eu sou descendente de orientais, sem miscigenação, não tenho identificação nenhuma com a cultura afro-brasileira, folclore daqui e nem outros estereótipos. E sou BRASILEIRO, com orgulho e sem ser ufanista. A preocupação deveria ser fazer HQ boa ou ruim. E até isso é subjetivo, salvo critérios técnicos de execução. No Japão, já se fez mangá ambientado na revolução francesa. Na França e Itália, se fez faroeste. E não venha dizer que Blueberry não é quadrinho francês. Ok, a forma narrativa é européia, a arte não segue os parâmetros dos comics, mas a temática e gênero não são europeus. E por aí vai. Podemos discordar cordialmente, mas não venha com essa de duvidar que eu li uma coisa antes de criticar."
Pois bem está aí publicada sua resposta Alexandre. Mas sou forçado a dizer que ainda creio que quando se chama alguém de preconceituoso e radical deve-se, minimamente, citar o autor em suas proposições, e demonstrar como ele chega à conclusão que chega. Quando disse que duvidava de que você tenha lido a obra, isso foi causado pelo meu enorme espanto ao ver os termos pelos quais tratou o Cirne. Deixo claro, mais uma vez que só conheço o Moacy Cirne de leituras e que apesar de uma vez ele já ter visitado aqui o meu blog eu duvido muito que ele se lembre que eu existo. No entanto eu não consigo encontrar nada nas obras que possuo e li escritas por ele em que se caracterize o preconceito, por exemplo. Quando na página 14 de A Linguagem dos Quadrinhos de 1971 ele diz:
"Além disso, calculemos que a metade dêstes 29,6% (material exclusivamente nacional) seja composta de criações baseadas em modelos estrangeiros (o grupo EDREL, Judoka, Raio Negro etc.) e que ..."
Não há nada de preconceituso nisso. O Judoka era, como todos sabemos, uma cópia modificada do Judo Master americano e o Raio Negro era bastante inspirado no Lanterna Verde. Trata-se de uma constatação e não de um ato de preconceito.
Não vejo problema nenhum em que se discorde de "aclamados". Aliás eu acho que sempre é necessário duvidar de tudo o que se vê e ouve, principalmente quando é algo que todo mundo diz. Mas acho que em algumas situações os "aclamados" são citados de terceira mão. Ouve-se tanto falar de algo que se "sente" que já o leu. Pouquíssima gente leu Moby Dick, o livro de Herman Melville, por exemplo. Muita gente já viu os filmes ou algum tipo de adaptação e por isso considera ter lido o livro... Mas não leu. Pouquíssima gente sabe que metade do livro é a história do Ahab (ou Acab como aparece em algumas traduções) e de Ismael e que a outra metade é um estudo sobre o animal. Quase ninguém sabe que nesse livro, justamente na parte dedicada ao estudo da baleia, o autor diz que apesar de muita gente achar que a baleia é um mamífero isso é ridículo, pois ela é mesmo um peixe, pois tem todas as características de peixe e só pode ser um tipo de peixe. Lógico que naquela época as ciências não estavam tão desenvolvidas quanto estão hoje e que as pessoas chegavam a conclusões por meios não tão científicos assim, mas, de acordo com a visão de nossa época, Melville está totalmente equivocado. O que acabei de fazer aqui foi criticar um "aclamado" (e creio que pouca gente é tão aclamada quanto o Melville) e mostrar o porquê. Para ser melhor ainda eu deveria ter me dado ao trabalho de abrir o livro e copiado tintim por tintim a parte em que ele diz isso. Mas como se trata de apenas um exemplo, não creio que seja necessário, certo?
Concordo, ainda, com você em muitas das coisas que você diz. Realmente, muitas vezes, é difícil definir o que seja uma história em quadrinhos brasileira. "Cangaceiros" de Hermann, por exemplo, é uma história em quadrinhos pela qual eu tenho tanto carinho que até mesmo tenho vontade de incluir na categoria HQ brasileira apesar da nacionalidade de seu autor. Pelo menos há uma presença brasileira na consultoria que o Júlio Emílio Braz prestou nela. Falando em J. E. Braz, ele é um dos artistas que mais admiro nos quadrinhos e na cultura de massa em geral. Quem sabe um dia ainda tenho o prazer de entrevistá-lo. A propósito, se vocês nunca leram Cangaceiros de Hermann apressem-se em aprender a ler em francês para fazê-lo (saibam que o Hermann se deu ao trabalho de aprender português para escrevê-la), vocês vão ver que vale a pena. Bom, já uma revista do Batman ilustrada e arte-finalizada por brasileiros não é brasileira. Não vou entrar em maiores detalhes, mas creio que já entenderam, né. Me vêm à cabeça que certa vez ao ler uma história da literatura inglesa o autor dizia já na introdução que só consideraria na obra o que fosse escrita em inglês. Portanto as coisas que o Fernando Pessoa escreveu em inglês, língua em que era totalmente fluente devido à infância passada na África do Sul, poderiam ser consideradas como literatura inglesa, mas a famosa "Utopia" de Thomas Morus não, por ter sido escrita em latim... São tudo questões de critérios. Mas já me alonguei demais e tudo isso são divagações, mera perda de tempo como você mesmo afirmou...
De qualquer forma, caro Alexandre, eu não tive a intenção de questionar o seu trabalho, até porque, como já falei antes, eu mesmo já cheguei a comprar revistas suas. Tenho apenas a preocupação de que a crítica (que praticamente inexiste em nosso país, o que há muito é diálogo de fã, que é muito diferente) a respeito da arte seqüencial passe a ser encarada de forma mais... crítica, justa e imparcial (se é que pode haver imparcialidade em crítica). Creio que você mereça todo o respeito por ser mais um dos batalhadores que já tentaram fazer quadrinhos no Brasil.
Tenho de sair para tomar um café com uma amiga, mas ainda hoje devo postar mais algo novo.
Depois da chuva vem a bonança.
Um abraço a todos
por CAIO CESAR CHRISTIANO * 7:10 PM
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