"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" Pablo Picasso

.:arquivos:.

.:links interessantes:.


Gibindex / Universo HQ / Omelete / Nona Arte / Gibiteca Henfil / Ota / Mozart Couto / Brasil Comics / HQMIX / Flávio Calazans / Marcatti / Itamaraty Quadrinhos / CCQ Humor / UCM Comics / Níquel Náusea / International Hero / Velta 1 / Velta 2 / Central de Tiras / Melhores do Mundo / Areia Hostil / Zine Brasil Fotolog / Ademir de Paula homepage / Emolina /Wilson Vieira

Webpaquera

Você já nos visitou vezes

Especial Superman-Ofertas a partir de R$19,90 e ganhe ingresso p/ o filme

O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil





[Domingo, Dezembro 10, 2006]

Orígenes Lessa (1903-1986) é o autor que estudo em minha tese de mestrado. Certo, ele nunca escreveu quadrinhos e, como esse não é nem um daqueles blogs de confissões pessoais em que o blogueiro tenta mostrar sua erudição chamando autores apenas pelo primeiro nome, assim, como se fosse um íntimo, e terminando suas frases sempre com um ¿oh¿ seguido de um suspiro, nem uma daquelas ¿análises¿ ou ¿reviews¿ que intentam validar a nona arte através de comparações, em sua grande maioria esdrúxulas, com a chamada ¿grande literatura¿ como tantos que pululam internet afora, eu não tenho nada que estar falando do orgulho de Lençóis Paulista aqui no Gibiblog. É verdade! Mas, recebi do CIBEC-INEP-MEC, que me atendeu de forma tão civilizada e polida que quase cheguei a duvidar de que se tratava de um órgão do governo, duas cópias de matérias com o referido autor, publicadas na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Qual não foi minha surpresa quando li, na edição n. 141, publicada em 1977, um trecho da entrevista de O. Lessa em que ele fala sobre histórias em quadrinhos e
dos perigos de sua desnacionalização. Orígenes Lessa foi um homem de seu tempo. Seus personagens nunca eram grandes heróis que realizavam enormes feitos, assim como os gêneros literários pelos quais transitou não eram os de mais fácil aceitação entre a crítica. Foi no Brasil um dos iniciadores da ficção científica e mostrou-se habilíssimo na arte conto e no manejo dos diálogos. Como pesquisador, foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da literatura de cordel como produção escrita digna de estudos. Como tradutor, foi o primeiro a trazer para nossas terras aqueles livros-jogos, em que se pede para que se pule para a página tal e tal se quiser que o personagem tome esta ou aquela atitude. Como publicitário, teve carreira longa e próspera e, entre coisas, no seu currículo consta a invenção do nome da marca Kibon. Nos últimos anos de sua vida, quando retornou à literatura infantil, foi freqüentemente comparado a Monteiro Lobato. Talvez seja por ter feito tantas coisas tão diferentes de maneira bem sucedida e sempre ter tido grande sucesso de público que ele seja, hoje, praticamente ignorado por uma grande porção da crítica da literatura séria no Brasil e seu nome, por exemplo, não seja citado nem sequer uma vez na História da Literatura Brasileira de Alfredo Bosi. Coisa de quem se aventura a explorar territórios ainda virgens, como muitas vezes acontece com nossos autores de histórias em quadrinhos. Segue o depoimento:

ENTREVISTADOR: Que papel desempenham as histórias em quadrinhos para a nossa infância? São um fator de alfabetização? São desnacionalizantes, visto que em grande parte não se inspiram em fontes brasileiras, em nossos motivos, temas e tradições, enfim na vida do povo brasileiro?

ORÍGENES LESSA: Condenável ou não, alfabetizando ou não alfabetizando, ajudando ou atrapalhando, a história em quadrinhos é um bem ou um mal de caráter irreversível. É como haver um dia depois do outro, uma noite entre duas noites. O que precisa ser evitado é o caráter desnacionalizante, que você mencionou, dos enlatados que recebemos. O que precisa ser estimulado é a produção de histórias em que os motivos e os heróis sejam nossos. Não é questão de patriotismo, é questão de sobrevivência como povo.


por CAIO CESAR CHRISTIANO * 9:43 AM

___________________

Comments:

compare preços de HQs nacionais